Ocupar os espaços públicos. Dialogar a convivência | observaSP

TextoCompleto: Ocupar os espaços públicos. Dialogar a convivência | observaSP

Por Luanda Vannuchi* / Na última sexta-feira, 17 de março, um seminário reuniu na Câmara Municipal de São Paulo skatistas, grupos de teatro, organizadores do Slam Resistência, comunidade LGBT, pesquisadores e arquitetos, entre vários outros usuários da Praça Roosevelt interessados em construir coletivamente um Comitê de Usuários em defesa de uma praça aberta a todos e todas. Luanda Vannuchi, pesquisadora do LabCidade e parte da equipe do ObservaSP, esteve presente e fez a intervenção que reproduzimos abaixo:

“Percebe-se nos últimos anos um movimento crescente de uso dos espaços públicos na cidade de São Paulo, a presença das pessoas nas ruas, praças, parques, viadutos… Há definitivamente uma maior apropriação desses espaços. Termo aqui usado não no sentido de tomar poder, mas no de se sentir parte – os paulistanos, pela primeira vez, começam a se enxergar na esfera pública, desejam participar das decisões sobre o destino dos espaços públicos, desejam participar da construção do que é o público.  >>>Mais

 

MP 759: Regularizar a exclusão / Raquel Rolnik

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Está tramitando no Congresso Nacional uma Medida Provisória (MP 759/16) que trata de três questões muito importantes para o país: a regularização de terras envolvidas em projetos de assentamento de reforma agrária, a regularização fundiária urbana e a venda das terras públicas pertencentes à União. Os assuntos são extensos e complexos, apresentados em um juridiquês de difícil compreensão para a maioria dos cidadãos. Mas trata de um assunto fundamental no Brasil: o acesso à terra.

A MP 759/16 é mais uma das centenas de leis que tratam da possibilidade de regularização de terras ocupadas irregularmente com casas, condomínios, comércios, indústria e todo tipo de uso e formas de ocupação do solo. >>>Mais

O discursinho do emprego e a revisão do Plano Diretor | Raquel Rolnik

TextoCompleto: O discursinho do emprego e a revisão do Plano Diretor | blog da Raquel Rolnik

Não é de hoje que ouvimos o argumento de que a regulação urbanística que define o que pode ser feito em cada terreno da cidade limita a indústria da construção civil e o mercado imobiliário, que seriam grandes geradores de empregos. Essa ideia tem servido de pretexto para o anúncio, pela gestão do prefeito João Doria, de propostas de mudanças no Plano Diretor Estratégico de São Paulo, em vigor desde 2014 e com revisão programada apenas para 2021.

Algumas destas possíveis mudanças já foram sinalizadas por Doria e Heloísa Proença, secretária de Urbanismo e Licenciamento: aumentar o número máximo de vagas de garagens e o tamanho máximo dos apartamentos permitido nos prédios, especialmente os localizados junto aos corredores de ônibus e estações de trem e metrô; e diminuir a cobrança de outorga onerosa – que os construtores devem pagar para construir prédios em certas áreas da cidade, aumentar a altura máxima dos prédios em áreas em que esta altura é hoje restrita.>>>Mais

 

Arte urbana de São Paulo, Nova York e Berlim | arqDoc

arqDoc / arqBrasil
BEĨ Editora apresenta livro que combina arte urbana de São Paulo, Nova York e Berlim, um ensaio triplo de Eduardo e Gabriela Longman que compõe Grafite – Labirintos do Olhar, a ser lançado em abril

Três cidades e sua produção de arte urbana. Num percurso marcado pela observação, reflexão e pesquisa, o fotógrafo Eduardo Longman e a jornalista Gabriela Longman trabalham desde 2014 para criar Grafite – labirintos do olhar. O livro, bilíngue, é resultado de incursões dos autores pelas ruas de São Paulo, Nova York e Berlim. (Na foto abaixo, da esq. paradir., Berlim, NY e São Paulo).>>Mais

Nossa cidade linda / observaSP

Texto+Vídeo – No dia 13 de fevereiro, o mandato da vereadora Sâmia Bomfim promoveu um debate  na Câmara Municipal de São Paulo sobre o então recém-lançado pela prefeitura programa “Cidade Linda”.  O debate contou com a participação dos grafiteiros Mauro Neri e Wellington Neri, do coletivo Imargem, Maria Aparecida Dias, da Cooperglicério, Fabiana Ribeiro, da Cia Antropofágica de Teatro, Padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo da Rua, Jesus dos Santos, do Movimento Cultural das Periferias, Claudia Visoni, jornalista das Hortas Urbanas, com o cicloativista Pedro Borelli, Raposão Costa, do Movimento Nós da Sul e Raquel Rolnik, da FAU USP.

No vídeo apresentamos algumas das falas que contestam o programa, alimentando o debate mais do que necessário na cidade. >>observaSP

Era o Hotel Cambridge / cidades para que(m)?

TextoCompleto João Sette Whitaker

Dia 16 de março estreia no circuito comercial um filme ímpar: Era o Hotel Cambridge, da diretora Eliane Caffé (diretora do incrível Narradores de Javé). Nessa lógica comercial, é necessário que as salas lotem na primeira quinzena, para que o filme se mantenha em cartaz. Vamos lotá-las, o filme merece. Mas não só ele. Também os movimentos de moradia, também a causa da moradia, também a causa da reabilitação de edifícios no centro, também o combate ao mau uso da função social da propriedade. Por isso, este texto, mais do que um artigo, é um convite.

Nestes tempos tristes, em que a intransigência, o individualismo, o desprezo pela democracia tomam conta do país, há um esforço dos conservadores para criminalizar os movimentos de moradia. Em uma sociedade que ainda não conseguiu superar suas heranças escravocratas, racistas, preconceituosas, faz sentido. A questão da moradia não é uma questão para as camadas de cima da nossa sociedade. Pois  ela só é visível para quem vive esse drama. Não para os que têm casa. Para o pobre, o desempregado, o imigrante recém-chegado e desamparado, a mulher vítima de violência que teve de sair de casa, a travesti que não encontra lugar para ser alguém e nem para viver, para todos estes, e muitos outros, o problema da moradia se escancara a cada noite que chega. Para os mais ricos, quando muito ele aparece pela janela do carro, rumo à uma praia, quando se cruza a periferia.>>>Mais

 

 

 

A CIDADE É NOSSA / Raquel Rolnik

Quem esteve em São Paulo nos dias de carnaval e circulou pelos blocos da cidade vivenciou uma experiência rara na metrópole paulistana: a ocupação das ruas pela festa. Seguir as bandas e trios elétricos era entrar em contato com a cidade de uma forma distinta daquela a que estamos acostumados: não enquadrada pelos tempos e ritmos do trabalho e da circulação, e sim pautada pelos embalados pelos sons da festa.

Mas, afinal, quem foram as pessoas que estiveram nas ruas brincando o carnaval e também tomando o espaço da cidade por algumas horas/dias?

É impossível responder a esta pergunta inteiramente. Uma multiplicidade de festas aconteceu dentro da festa: uma enorme variedade de músicas e ritmos, mas também de fantasias, ironias e, particularmente neste carnaval, de palavras de ordem, como uma espécie de continuação de junho 2013, que não acabou… >>TextoCompleto

Nota Pública – Contra a criminalização de manifestação em Recife, PE – Forum Nacional de Reforma Urbana

Fórum Nacional de Reforma Urbana

Em 31 de janeiro, o Fórum Nacional de Reforma Urbana já havia se manifestado em nota pública contra a escalada da repressão aos Movimentos Sociais no Brasil, em especial aos movimentos e lideranças que lutam pela terra e pela função social da cidade e da propriedade (veja aqui). São inaceitáveis as medidas repressivas e que movimentos sejam criminalizadas por lutarem pelo direito à cidade. O FNRU novamente reafirma o direito à liberdade de organização e manifestação, e exige o fim da criminalização da luta dos movimentos populares no Brasil.

TextoCompleto: Nota Pública – Contra a criminalização de manifestação em Recife, PE – Forum Nacional de Reforma Urbana

O falso dilema dos parques segundo Doria e o caso do Central Park / por observaSP

Por Luanda Vannuchi* e Mariana Schiller**

No ano passado, logo após ser eleito, o ainda não empossado prefeito de São Paulo, João Doria Jr., apresentou uma lista de 15 parques-modelo para serem concedidos à iniciativa privada. Pouco depois, o prefeito afirmou que estudava importar o modelo de gestão do Central Park, gigantesca área verde na cidade de Nova York, para o Parque do Ibirapuera, na zona sul da capital paulista. Diante do argumento de que a prefeitura seria incapaz de arcar com os custos de manutenção dos 109 parques da cidade, sobram propostas de concessão, parcerias público-privadas e privatizações. A agenda é tão prioritária para a nova gestão que envolveu a criação de uma pasta exclusiva para isso, a Secretaria de Desestatização e Parcerias.

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Parque do Ibirapuera (SP) e Central Park (NY). Foto de Satélite/Google

Preocupa, no entanto, que as concessões sejam anunciadas desacompanhadas de estudos que comprovem o benefício ou mesmo a viabilidade da transferência desses bens para o privado, sem explicações sobre como será feito, sem debate público e, principalmente, sem garantias da manutenção do caráter público desses bens uma vez concedidos ou privatizados. Dessa forma, Doria parece tratar a coisa pública como se fosse propriedade privada da sua gestão.

A privatização é apresentada como solução antes mesmo que o problema seja identificado e trazido a público. Mas qual o problema específico do Parque Ibirapuera? E dos demais parques públicos municipais? É uma questão orçamentária? É um problema de gestão? A privatização poderá solucionar esses problemas? Como? Quais as garantias? Não seria interessante que essas questões fossem trazidas ao debate público? >>>Mais

 

Donald Dória e a política dos factoides

Deu muito o que falar nas mídias sociais o recente vídeo difundido pela prefeitura de São Paulo, “Road Show”, colocando literalmente a cidade à venda para eventuais investidores interessados na privatização dos mais diversos equipamentos e serviços. Demorei para decidir escrever sobre isso, por uma simples razão: o objetivo maior desse vídeo não é a seriedade ou veracidade de seu conteúdo, mas sim simplesmente fazer falar da nova gestão do prefeito Dória. Ao discutir sobre ele, comentar, escrever, estamos fazendo exatamente aquilo para o que essa peça de propaganda foi criada.

TextoCompleto: Donald Dória e a política dos factoides

Mas vamos lá, acho que ainda assim vale um pequeno comentário crítico. João Dória e Donald Trump têm muitas coisas em comum. Uma delas é a de fazer política por meio de factoides, lançamentos de programas ou decisões polêmicas e estapafúrdias, muitas delas sem a menor fundamentação ou possibilidade de efetiva realização, o que não é problema algum, já que seu objetivo é puramente de imagem, fazer falar deles a qualquer custo. Não importa se a notícia for impopular para grande parte dos setores progressistas (aliás, é até bom que seja, na visão deles), o que importa é a imagem que passam para o eleitorado médio, aquele que acredita piamente e sem nenhuma reflexão crítica na grande mídia. Uma enorme parte das ações anunciadas por Trump sequer estão no âmbito de suas prerrogativas, devem passar pelo Congresso, pela Suprema Corte, por outras instâncias onde têm grandes chances de cair. Mas não faz mal, o barulho está feito, e a imagem do líder de araque forjada. >>>Mais