Periferias resistem à burocratização em busca de uma nova cidadania

Pesquisa observou execução das políticas sociais no cotidiano da periferia da zona sul, a partir de práticas e discursos de profissionais / Por Denis Pacheco

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A zona sul de São Paulo tem mais de 2 milhões de habitantes

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Com uma população de mais de 2 milhões de habitantes, a zona sul de São Paulo foi objeto de uma dissertação de mestrado realizada na USP. O estudo observou a execução das políticas sociais no cotidiano da periferia da zona sul, a partir de práticas e discursos de profissionais e ativistas locais.

Formada em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, a antropóloga Milena Mateuzi Carmo buscou, por meio da observação dos discursos e práticas entre serviços públicos e articulações locais, entender como o dia a dia destes discursos podem tanto reafirmar a forma de poder estatal, quanto resistir a ela.

Para a pesquisadora, a resistência é alimentada por discursos que se constroem localmente a partir da mobilização de identidades que articulam marcadores sociais da diferença, tais como raça, classe e gênero, e a ideia de sofrimento gerada pela reprodução de violências institucionais ligadas a estes marcadores. >>>Mais

De braços (e mentes) fechados | Blog do João Sette Whitaker

TextoCompleto | Blog do João Sette Whitaker

Triste domingo de chuva o desta Virada Cultural de 2017 em São Paulo. Não bastasse o fiasco do evento cultural – sejamos justos, a chuva não ajudou – em parte deslocado para fora do centro, mas sem conseguir levar quase ninguém para o Anhembi ou para a Chácara do Jóquei, a tristeza que se abateu sobre a cidade deu-se por constatarmos que um evento que deveria ser o da celebração da vida, da cultura e da cidade democrática, transformou-se em uma cortina de fumaça para uma ação truculenta e fascistoide de higiene social: o desmanche violento do Programa De Braços Abertos, na Cracolândia. O mais triste, porém, talvez seja ver a indiferença dos paulistanos que, afinal, votaram em grande parte nesse prefeito, com o que ocorreu ali.

Não poderia a Virada Cultural ter dado muito certo. Seus organizadores nesta gestão não entenderam nada. Que esse evento não é apenas uma exibição de shows como se fosse um festival qualquer em uma casa de espetáculos. Que ele só tem sentido se associado a uma ideia de cidade, de retomada dos espaços públicos, de uso democrático, solidário e inclusivo do centro, tão necessitado desse tipo de atenção. E esse uso democrático compreende a aceitação e a convivência com os que mais sofrem a dureza da cidade: os moradores em situação de rua e, entre eles, também aqueles em situação de dependência química. A Virada deste ano ficará marcada por ter sido um Cavalo de Troia: utilizaram-se sorrateiramente de um evento para celebrar a cidade para tod@s, para promover a violência e o obscurantismo. >>>Mais

 

Por que a Virada Cultural no centro de SP favorece a população periférica

Por Lívia Lima | ObservaSP

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A Virada Cultural, desde sua criação em 2005, e, sobretudo, a partir de seu crescimento e reconhecimento como um dos eventos mais importantes da cidade de São Paulo promovidos pelo poder público, foi concebida como uma ação que parte da cultura para desenvolver a cidade.  Sua inspiração, as “Nuit Blaches” de Paris, também nos confirmam que, mais que as artes, é ela, a própria cidade, a protagonista do evento.

Em suas primeiras edições, a Virada Cultural concentrou suas atividades no centro histórico de São Paulo e esta tradição se manteve nos últimos 12 anos, porém ampliando cada vez mais sua área de abrangência. Em muitos discursos, seja do próprio público, da imprensa, especialistas e pesquisadores, houve a defesa de que o evento se tornasse cada vez mais descentralizado, alcançando, também, os bairros periféricos.

De fato, é importante que as periferias sejam contempladas em um evento em que se pretende mobilizar toda a cidade, lembrando que a periferia faz parte da cidade o tempo todo (isso nem sempre é tão claro e evidente), mas isso não deslegitima o centro como o local privilegiado do conceito do evento, ao contrário, isto só tende a beneficiar a população periférica. >>>Mais

 

Cidades Virtuais: ensino de arquitetura e urbanismo por meio de games | Observatório das Metrópoles

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Estudantes de Arquitetura e Urbanismo UVV simulando a gestão da cidade

No século XXI, em plena revolução tecnológica, o professor é desafiado a se reinventar e buscar formas, processos, métodos, ferramentas e recursos didático-pedagógicos cativantes e inovadores. Neste artigo para a Revista Educação Temática Digital, o professor Pablo Lira apresenta a sua experiência com o projeto “Cidades Virtuais”, que consiste no uso planejado de uma dinâmica didático-pedagógica empreendida no curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Vila Velha (UVV), a partir do famoso jogo SimCity para favorecer a conexão dos conhecimentos teórico-conceituais com as atividades práticas em ambiente virtual.

A Rede INCT Observatório das Metrópoles vem desenvolvendo pesquisas como foco na inovação para a formação do chamado Profissional da Cidade, tanto na esfera das políticas públicas quanto na inserção desse profissional na nova Era do Conhecimento, pautada pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). O projeto “Cidades virtuais: uso de games para estudo de arquitetura e urbanismo”, do professor Pablo Lira (IJSN/UVV), é um exemplo de inovação em práticas pedagógicas: ele inseriu o game “SimCity” (simulador de cidades) nas aulas de Arquitetura e Urbanismo, permitindo aos estudantes verificar em ambiente virtual simulado a aplicabilidade e efetividade das teorias, instrumentos e mecanismos do planejamento urbano.

Segundo Lira, o projeto foi implementado em agosto de 2014 e está proporcionando um maior envolvimento por parte dos alunos de Arquitetura e Urbanismo da UVV, bem como uma maior difusão, compartilhamento de ideias e inserção social de práticas de ensinoaprendizagem inovadoras, na comunidade científica, o que amplia as possibilidades de aperfeiçoamento e replicação. Além disso, Cidades Virtuais foi um dos premiados do Prêmio Inova UVV 2015.>>>Mais

A Metrópole em questão: desafios da transição urbana | Observatório das Metrópoles

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A temática urbana-metropolitana está no centro da questão social brasileira — apesar de não receber a mesma importância na agenda política do país — e deverá estar no centro dos conflitos sociais nos próximos anos. Para contribuir com esse debate, a Rede INCT Observatório das Metrópoles promove o lançamento do livro “A Metrópole em Questão: desafios da transição urbana”, do professor Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro. A publicação se constitui como obra fundamental para entender as transformações contemporâneas vividas pelas cidades e metrópoles brasileiras, a partir de uma síntese interpretativa da transição urbana do Brasil no período 1980-2010. Além disso, o livro contribui para a identificação dos grandes desafios que temos pela frente, e sugere caminhos possíveis como a geração de processos democráticos de planejamento urbano capazes de reverter desigualdades sociais que marcam as cidades brasileiras.

O livro é constituído por um conjunto de artigos do professor Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro que sintetiza sua reflexão crítica a respeito da transição urbana brasileira nos últimos trinta anos (1980-2010). E também expressa parte da produção científica da Rede Observatório das Metrópoles relativa ao período 2009-2015 a partir do qual passou a integrar o Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT/CNPq).

Luiz Cesar explica que o programa de pesquisa “Território, coesão social e governança democrática” representou um marco para a Rede Observatório das Metrópoles, já que — além de ingressar no INCT — também possibilitou o aprofundamento da compreensão a respeito dos impasses da realidade urbano-metropolitana brasileira diante dos desafios do desenvolvimento nacional e das novas relações entre economia, sociedade e território, advindas das transformações do capitalismo que surgiram a partir da segunda metade dos anos 1970. >>Mais

 

O novo e o velho no recém aprovado Código de Obras | blog da Raquel Rolnik

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Na semana passada foi sancionada pelo prefeito de São Paulo, João Doria, o novo Código de Obras da cidade. O projeto já vinha sendo debatido desde a gestão de Fernando Haddad e só não foi sancionado antes porque a oposição, à época, entrou com mandado de segurança alegando que havia faltado quórum qualificado na votação em segundo turno que o aprovou na Câmara de Vereadores.

O Código de Obras define regras e procedimentos de aprovação que as construções devem obedecer. A nova legislação vem sendo apontada pela prefeitura como um avanço no sentido da modernização do processo de licenciamento e fiscalização. De fato, ele simplifica, no sentido positivo, processos que anteriormente se configuravam como verdadeiras gincanas para conseguir aprovar um projeto. Um dos principais exemplos disso é que a nova lei deixou de exigir detalhamento interno das unidades construídas, focalizando muito mais naquilo que tem relação com o resto da cidade. O novo código também aumenta a responsabilidade dos construtores e responsáveis técnicos pelas obras, retirando da prefeitura a necessidade de fiscalizar todos os detalhes de cada empreendimento. >>Mais

 

LabCidade no XVII ENANPUR

FonteObservaSP: LabCidade no XVII ENANPUR

Os pesquisadores do Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade (LabCidade) da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo tiveram cinco artigos selecionados para o XVII Encontro Nacional da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (Enanpur).

O evento reunirá pesquisadores de vários estados do Brasil e do mundo entre os dias 22 e 26 de maio, em São Paulo.

As inscrições online para apresentar trabalhos já foram encerradas, mas ainda será possível se inscrever para acompanhar os debates durante o evento.

Confira aqui a programação completa do Enanpur e na lista abaixo as oficinas, mesas redondas, sessões livres e temáticas que contarão com pesquisadores do LabCidade: >Mais

 

Mulheres de bicicleta em São Paulo: da “cidade imoral” para a “cidade conquistada” | ObservaSP

Letícia Lindenberg Lemos*, Marina Kohler Harkot**, Paula Freire Santoro*** Este texto foi originalmente publicado no livro Direito à Cidade: uma visão por gênero, do Instituto Brasileiro de Direito…

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Este texto foi originalmente publicado no livro Direito à Cidade: uma visão por gênero, do Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico, acompanhado de outros ensaios de qualidade sobre as mulheres e à cidade. Para conhecer o conteúdo da publicação na íntegra, clique aqui. 

As mulheres usam a cidade e se movem por ela de modo bastante diferente dos homens. Tais diferenças têm raízes no conceito de gênero, constitutivo das relações sociais e a partir do qual os papéis designados para homens e mulheres são social e culturalmente construídos. A interdependência social – poder contar com uma rede de apoio –, por exemplo, tem um papel muito mais fundamental para mulheres do que para homens. Assim, há aspectos da socialização feminina estereotípica e da divisão sexual do trabalho, que resultam nas diferentes vivências para homens e mulheres no espaço urbano e isso se reflete nas escolhas da forma de se locomover pela cidade.

Susan Hanson, uma acadêmica branca norte-americana, discorre sobre o efeito transformador da ampliação da mobilidade para mulheres a partir da história pessoal de Francis Willard, sufragista norte-americana, que ao descrever seu aprendizado tardio de andar de bicicleta, resgata o importante papel desse modo no processo de emancipação feminina. Hanson aponta que a mulher fica mais restrita ao espaço doméstico e com movimentos limitados, enquanto o homem desenvolve mais atividades fora de casa, no espaço público, com movimentos que se expandem – o que a autora chama de “dualismo familiar”. No entanto, o contexto norte-americano ou europeu é muito diverso do brasileiro ou latino-americano, no qual acessibilidade e mobilidade são fortemente impactadas por recortes de renda, escolaridade, cor e etnia, aspectos culturais e morais, entre outras. Essas questões desenham cidades desiguais e excludentes e impõem a necessidade de relativizar as análises com recortes de gênero, ainda que ampliar a mobilidade das mulheres possa mesmo ser transformador para a vida delas.>>>Mais

 

Prefeitura de SP volta a ameaçar Comunidade da Paz sem apresentar justificativas técnicas | ObservaSP

Por Paulo Romeiro*, Talita Anzei Gonsales**, Pedro Mendonça*** e Benedito Barbosa****   Há poucas semanas, em reunião com representantes da Secretaria de Habitação da Prefeitura de São Paulo, …

TextoCompleto: Prefeitura de SP volta a ameaçar Comunidade da Paz sem apresentar justificativas técnicas

Há poucas semanas, em reunião com representantes da Secretaria de Habitação da Prefeitura de São Paulo, moradores da Comunidade da Paz, em Itaquera, foram informados que seriam removidos de suas casas nos próximos meses devido à construção de um corredor de ônibus que passaria pelas comunidades da Paz e outras vizinhas, removendo ao todo cerca de 450 famílias, segundo informações das próprias lideranças. A prefeitura informou que os moradores seriam incluídos no programa de auxílio-aluguel até a conclusão do conjunto habitacional que seria construído para atender esta demanda.

Essa proposta, no entanto, viola direitos dos moradores que vivem lá há mais de 30 anos, não respeita a história das famílias e da comunidade e os acordos feitos anteriormente entre a comunidade e a gestão municipal, não reconhece a destinação definida no Plano Diretor do Município de São Paulo para que a área seja prioritariamente moradia social. Pior, o traçado do corredor passando sobre a favela não chegou a ser objeto do Estudo e no Relatório de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) da obra apresentado em 2013, razão pela qual não foi a alternativa de traçado indicada pelo estudo de impacto. Naquele momento, o documento não previa a remoção de nenhuma família da comunidade porque o traçado da obra não a atingia. >>>Mais

 

Melancolia na desigualdade urbana | Erminia Maricato

Fonte: Melancolia na desigualdade urbana

A vida urbana, principalmente nas grandes metrópoles, tem revelado um alto grau de desencanto e solidão. Ao invés das cidades serem espaços de convivência e socialização, as más condições de moradia, a dificuldade de mobilidade e a ausência de espaços de lazer parecem estar levando seus cidadãos a um estado de melancolia coletiva.

Café Filosófico CPFL _16/04