A vida entre muros | Revista Pesquisa Fapesp

Condomínios fechados e shopping centers acentuam a separação socioespacial em cidades médias

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Presidente Prudente – município com 230 mil habitantes a 558 quilômetros da capital paulista – parece estar se desagregando, à medida que os grupos de moradores com ganhos econômicos mais altos e os com renda mais baixa se fecham em seus espaços. Outras cidades de porte médio de São Paulo – com 100 mil a 600 mil habitantes, que exercem um papel de polo regional, com influência sobre dezenas de municípios próximos – vivem o mesmo fenômeno, de acordo com estudos realizados nos últimos anos por uma equipe de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Quem sai do centro de Prudente rumo ao norte observa terrenos ocupados por propriedades rurais, como se a cidade estivesse terminando. Mas não. Mais adiante emergem dezenas de fileiras de casas geminadas. É um dos conjuntos habitacionais para moradores de baixa renda do programa Minha Casa Minha Vida, com 2.600 casas e cerca de 8 mil pessoas, inaugurado em 2015. Lançado em 2009, o Minha Casa, como é conhecido, tornou-se o maior programa habitacional do país dos últimos 30 anos, com quase R$ 300 bilhões investidos e 10,5 milhões de pessoas beneficiadas até outubro de 2016. >>Mais A vida entre muros | Revista Pesquisa Fapesp

 

Regina Maria Prosperi Meyer: Estudos para uma cidade em movimento | Pesquisa Fapesp

Urbanista que criou novas disciplinas na FAU-USP dedica-se a pensar a macrometrópole paulistana

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Regina Meyer gostava tanto de dar aulas na graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) que se empenhou em “negar a realidade” – de tal forma que a chegada da aposentadoria aos 70 anos, em 2011, foi sentida como uma brusca interrupção. “Eu estava em pleno voo”, diz. “Continuava pesquisando e buscando criar novas disciplinas.” O entusiasmo dos alunos a contagiava, e vice-versa. Hoje Regina investe sua energia em novos projetos de pesquisa e na orientação de alunos de pós-graduação.

Nascida em Guaxupé (MG), a urbanista veio nos primeiros anos de vida para São Paulo, cidade que se tornou o objeto de estudo prioritário em sua carreira. Casou-se aos 22 anos e foi com o marido, o psicanalista Luiz Meyer, estudar na França e depois em Genebra, Suíça, onde, na impossibilidade de enfrentar um labiríntico processo de seleção para a faculdade de arquitetura, encaminhou-se para a psicologia. “Fui aprovada em 1968. O curso de psicologia da Universidade de Genebra estava em grande evidência internacional graças ao trabalho inovador de Jean Piaget. Tive de interromper o curso ao fim do segundo ano para voltar ao Brasil.” Ao chegar a Brasília, para onde se mudou para acompanhar o marido, que havia aceitado o convite para criar o Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB), deparou-se com o predomínio da tendência behaviorista, oposta a Piaget, nos cursos de psicologia locais. Desapontada, retomou seu antigo interesse pela arquitetura, dando início a uma carreira que se dirigiu para o urbanismo e o planejamento urbano.

Regina Meyer, casada e mãe de dois filhos, Diogo (biólogo) e Ana Elisa (produtora na área editorial), concedeu esta entrevista em seu apartamento num edifício projetado pelo arquiteto Rino Levi nos anos 1940 e decorado com azulejos do paisagista e artista plástico Burle Marx em um bairro da região central de São Paulo. >>>Mais

Unicamp debate propriedade e uso de terras

Unicamp reúne especialistas e sociedade no III Seminário Internacional de Governança de Terras e Desenvolvimento Econômico: Regularização Fundiária será realizado de 7 a 9 de junho de 2017 no Instituto de Economia da Unicamp

Com o objetivo de proporcionar o debate e a troca de experiência em relação às questões de terra no Brasil e no mundo, o Grupo de Governança de Terras do IE/Unicamp reune especialistas, agentes públicos e privados e a sociedade civil para o III Seminário Internacional de Governança de Terras e Desenvolvimento Econômico: Regularização Fundiária.

O evento será realizado nos dias 7, 8 e 9 de junho de 2017, Instituto de Economia da Unicamp (Rua Pitágoras, nº 353, Cidade Universitária, Campinas – SP). As inscrições custam R$ 80,00 e R$ 40,00 até o dia 19 de maio e R$ 100,00 (R$ 50,00 para estudantes), após essa data. Inscrições pelo site http://governancadeterras.com.br/2016/seminario-2017. Informações pelos telefones (19) 9 8287 2433 com Ana Paula Bueno e (11) 9 7639 3874 com Vitor Bukvar Fernandes.>>Mais

 

26/04- Vilanova Artigas e a arquitetura urbana – Agenda Arqbrasil

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Vilanova Artigas e a arquitetura urbana é a mesa de debate realizada pelo Centro de Pesquisa e Formação do Sesc em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), no dia 26 de abril, que abordará a noção de “arquitetura popular”, que ocupou e ocupa o centro da agenda de arquitetos no campo amplo das esquerdas. O tema foi objeto de importantes debates, tanto enquanto construção discursiva como nas dimensões concretas da realidade urbana.

Os palestrantes tomarão como referência a produção e reflexão do arquiteto Vilanova Artigas, discutindo também experiências de profissionais que, ao longo dos anos, retomaram e atualizaram tal herança.>>Mais

Política urbana, ação governamental e a utopia da reforma urbana no Brasil | Observatório das Metrópoles

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Diante do atual contexto de crise urbana e da ofensiva conservadora-liberal do Governo Temer, o Observatório das Metrópoles divulga a tese “Política urbana, ação governamental e a utopia da Reforma Urbana no Brasil”, da pesquisadora Maria Fernandes Caldas. O trabalho oferece uma contribuição relevante ao analisar as conquistas sociais obtidas no âmbito da Política Urbana brasileira nos últimos 25 anos, apontando os avanços a partir da Constituição Federal de 1988 ao Estatuto da Cidade, até as mudanças normativas e planos setoriais. A conclusão, no entanto, é de que a Reforma Urbana não pôde ser efetivada no país. Ao analisar, por exemplo, a política implementada pelo PAC, Maria Fernandes Caldas mostra que apesar dos avanços, estes não foram suficientes para mitigar a desigualdade na forma e nas condições de apropriação das cidades pela população mais pobre, muito menos alterar o modelo de urbanização do Brasil.

A tese “Política urbana, ação governamental e a utopia da Reforma Urbana no Brasil”, da pesquisadora Maria Fernandes Caldas, é mais um resultado da Rede INCT Observatório das Metrópoles. O trabalho foi defendido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Escola de Arquitetura da UFMG, com orientação da Profª. Drª. Jupira Gomes de Mendonça, coordenadora do Núcleo Regional Belo Horizonte da nossa rede de pesquisa.

A presente tese se insere no debate sobre as possibilidades da Política Urbana no Estado brasileiro. Mais especificamente, discute e avalia as mudanças ocorridas na política urbana recente e seus desdobramentos após a vigência da Constituição Federal de 1988 e do Estatuto da Cidade, analisando seus avanços e os desafios que ainda permanecem.>>>Mais

Fonte: Em nota, Ciclocidade repudia remoção de ciclovias e ciclofaixas em SP

A imprensa noticiou nesta quinta-feira (20) a intenção da prefeitura de São Paulo de retirar ciclofaixas e adotar ciclorrotas, que não oferecem a mesma proteção para quem pedala por elas. Frente a isso, a Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade) elaborou uma nota de repúdio a proposta e está convocando uma plenária a se realizar amanhã (21), às 16h30, na Praça dos Arcos, na Consolação. Leia o texto na íntegra a seguir e se informe sobre a plenária aqui.

NOTA DE REPÚDIO À REMOÇÃO DE CICLOVIAS E CICLOFAIXAS

Nesta quinta-feira (20 de abril), conforme noticiado na imprensa, a prefeitura de São Paulo apresentou sua estratégia de desmonte da política cicloviária da cidade. Aparentemente trata-se de mais um retrocesso social, urbano e de direitos que, em última instância, atenta contra a vida. Por esta razão, a Ciclocidade – Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo vem a público se posicionar contra as medidas apresentadas.

A gestão do prefeito João Doria vem acumulando retrocessos para políticas de mobilidade urbana desde o início do seu mandato. Aumentou limites de velocidades, resultando em um significativo aumento de acidentes, como esperado. Removeu ciclofaixas ao reformar vias, sem cumprir a promessa de repintá-las. Sob a justificativa de falta de verbas para a ampliação da malha cicloviária – prevista em decreto que instituiu o Plano Municipal de Mobilidade – anuncia à imprensa, sem qualquer consulta às instâncias de participação pública da cidade (tais como seus conselhos), que deixará de lado este plano, construído com a sociedade civil ao longo dos últimos anos. E o que está em jogo são vidas.>> Mais

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A invisibilidade da moradia precária na Operação Urbana Bairros do Tamanduateí | ObservaSP

Por Paula Freire Santoro*, Caio Santo Amore**, Maria Rita de Sá Brasil Horigoshi***, Daniela Perre Rodrigues****

Fonte: A invisibilidade da moradia precária na Operação Urbana Bairros do Tamanduateí

A vasta crítica sobre as Operações Urbanas paulistanas – que afirma que valorizam áreas já muito valorizadas e de interesse do mercado, que estão baseadas em obras viárias, que não promovem inclusão social, entre tantas outras – fez com que as novas propostas de intervenção tenham se apropriado do discurso da inclusão socioterritorial e de propostas de regulações urbanas para a produção de habitação de interesse social (HIS) nos perímetros da operação. Estas reconhecem a obrigatoriedade de produzir HIS, preveem atendimentos habitacionais, reservam recursos para isso e, eventualmente, até reservam terras demarcadas como Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis). Mas o que se vê na prática são propostas de inclusão social ainda muito tímidas, especialmente quando se observam as vantagens dadas ao mercado imobiliário, motor da transformação urbana incentivada pelas Operações Urbanas, e são propostas que dialogam muito pouco com a realidade urbana e habitacional presente em seus territórios.

O debate sobre a proposta de Operação Urbana Consorciada Bairros do Tamanduateí (Projeto de Lei 723/15) é um exemplo disso. Pouco se sabia sobre a necessidade de se construir habitação de interesse social e menos ainda sobre a diversidade e complexidade das situações habitacionais precárias presentes naquele território durante a elaboração da lei da operação. >>> Mais

Os 100 dias de Doria… e o almoço grátis | Raquel Rolnik

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Em quase todas as colunas, posts e tweets que escrevo, defendendo o acesso público, livre e gratuito a espaços, serviços e equipamentos, aparece sempre algum comentarista que faz questão de dizer: “tem gente que acredita que existe almoço grátis”.

Esta frase virou uma espécie de mantra de uma suposta nova cultura (na verdade, bem velhinha, de mais de um século atrás) de gestão da coisa pública, de viés liberal, para a qual o mercado – “a iniciativa privada” –, por ser mais eficiente, moderno e “imune à política”, é mais capaz de administrar os espaços, equipamentos e serviços públicos da cidade.

João Doria identifica-se completamente com esse ideário. Além de defender a proposta de privatizar ativos, conceder serviços públicos para a iniciativa privada, desestatizar a gestão, o novo prefeito de São Paulo apresenta-se, ele próprio, como um empresário sem vínculos com a política e, portanto, portador das virtudes que esta condição automaticamente lhe conferiria.>>Mais

Ônibus sem cobrador: mais um passinho para a substituição do trabalho humano | blog da Raquel Rolnik

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Neste momento, a Prefeitura de São Paulo está testando viagens de ônibus sem a presença do cobrador, em uma linha que vai do Metrô Jabaquara até o Terminal Santo Amaro, na Zona Sul, e que tem em média 2% das passagens pagas em dinheiro. Já faz algum tempo, especialmente depois da implantação da bilhetagem eletrônica, que a gestão municipal tenta eliminar os cobradores dos ônibus da cidade.

Atualmente, em média, 6% das viagens são pagas em dinheiro vivo e, por isso, a Prefeitura entende que os cobradores ficam ociosos na maior parte do tempo. A eliminação dessa atividade impactaria positivamente em uma redução de custos, o que, em tese, teria efeitos benéficos no preço da passagem.

A princípio, esse raciocínio parece fazer sentido. No entanto, desconsidera outras funções que esses trabalhadores exercem nos ônibus, como auxiliar pessoas com mobilidade reduzida, oferecer aos usuários informações que deveriam constar nos pontos de embarque ou dentro dos veículos, mas não constam, entre outras atividades que fazem com que os motoristas não fiquem sobrecarregados.>>>Mais

Sabesp: enxurrada de lucros, benefícios sociais no conta-gotas | blog da Raquel Rolnik

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Na semana passada, após um comentário meu no Twitter sobre o lucro recorde da Sabesp de quase R$ 3 bilhões e a remuneração de seus acionistas, a companhia respondeu argumentando que esta era uma “ótima notícia para todos”, pois a maior parte deste recurso seria aplicada em melhorias de infraestrutura e serviços.

Infelizmente, essa afirmação não tem respaldo nas ações efetivas desta empresa de economia mista, com ações negociadas na bolsa de valores desde 1994.

Encarregada de quase todos os serviços de água e esgoto da metrópole paulistana, além de muitas outras cidades do Estado de São Paulo, a Sabesp é uma das grandes responsáveis pela poluição dos rios, na medida em que coleta o esgoto e neles despeja a maior parte, sem tratamento. Segundo a ONG SOS Mata Atlântica, 70% da poluição dos rios de São Paulo vêm destes esgotos não tratados. >>>Mais