Sobre o vão livre do Masp
30/12/2013

Manifestação do Instituto Lina Bo e P. M. Bardi sobre o vão livre do Masp

Vão livre do MaspNeste momento no qual comemoramos (5/12) o 99o aniversário de Lina Bo Bardi, as notícias recentes do agravamento das condições de segurança no vão livre do Masp são preocupantes. O debate que se instalou nos meios de comunicação revela a preocupação da sociedade paulista com os destinos de seu principal museu, edifício escolhido inúmeras vezes como um ícone da cidade de São Paulo.

Concebido para ser aberto para o uso público, o espaço do vão livre é extensão das ruas e praças da cidade. O vão livre complementa a transparência do edifício no objetivo de aproximar a arte da vida cotidiana. Ambos configuram o caráter do Masp como museu dedicado à formação de público e de artistas desde sua fundação. As transformações da cidade e da sociedade podem exigir adaptações na arquitetura e no funcionamento do museu, mas nunca contraditórias com sua concepção e projeto arquitetônico original.

O Instituto Bardi considera que o enfrentamento da violência urbana paulistana no vão livre exige políticas públicas integradas, envolvendo além dos organismos de segurança, o planejamento de ações sociais e de saúde pública. Somente através de planejamento e gestão adequada do poder público, estadual e municipal, poderá ser revertida a degradação do espaço do vão livre. Além disto, propomos uma ação conjunta com instituições não governamentais, universidades e o próprio museu, para torná-lo, no ano do centenário de Lina Bo Bardi, uma nova referência de espaço público na consciência coletiva paulista: livre, seguro e inclusivo.

O Masp e seu vão livre não deveriam ser cercados, mas sim abraçados pela sociedade paulista. Um abraço que defenda a liberdade política que ele representa, que o proteja da violência urbana a que está sujeito, que ampare aqueles que ali estão e necessitem de ajuda. Um abraço que represente o afeto desta sociedade pelo museu que ela reconhece como seu principal ícone.

Renato Luis Sobral Anelli, diretor do Instituto Lina Bo e P. M. Bardi e pesquisador do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da USP São Carlos| InstitutoBardi

Desafios da arquitetura compacta
10/12/2013

Cozinha, área de serviço, living, mesa de jantar e quarto. Tudo em um mesmo ambiente. É em espaços como esse que muitos paulistanos estão vivendo neste momento, nos chamados apartamentos studio. Com metragens que normalmente variam entre 30 e 50 metros quadrados, essa tipologia residencial liderou o número de unidades lançadas em 2012 e no primeiro semestre deste ano, segundo o Secovi-SP.

Mas é possível ter qualidade de vida em espaços tão reduzidos? De acordo com o arquiteto José Ricardo Basiches, do escritório Basiches Arquitetos Associados, é possível desde que dois elementos estejam presentes no processo da arquitetura de interior: funcionalidade e criatividade.

“Projetar apartamentos compactos hoje em dia passou a ser uma rotina para nós aqui no escritório. Como todo processo da arquitetura, partimos do principio de funcionalidade, forma e função para se chegar em um modelo ideal de morar”, afirma Basiches. Segundo ele, a criatividade passou a ser um desafio fundamental na concepção de projetos de menor metragem. “Buscamos espaços que sejam funcionais, onde o mínimo é absolutamente tudo que precisamos”, completa.

Responsável pelo projeto de arquitetura e design do VN Quati, residencial cuja metragem é de apenas 19 metros quadrados, Basiches diz que o uso misto de mobiliário é fundamental para um melhor aproveitamento do espaço. “Uma mesa de jantar, além de fazer a função básica dela, pode servir de anteparo e apoio à cozinha. Essa função multiuso das coisas tem sido muito importante para se chegar a um resultado do qual cria-se um espaço agradável e amplo”, comenta.

A importância das áreas comuns – A versatilidade do projeto arquitetônico do prédio é também fundamental para que o morador de uma unidade compacta possa viver com qualidade.

“Do lado de fora dos apartamentos, é preciso que o prédio – além de ter uma localização incrível – ofereça aquilo que não se pode ter dentro do apartamento. Ou seja, para receber amigos, dar uma festa, um jantar, tem sido cada vez mais importante para nós, arquitetos, buscar aprimorar os ambientes das áreas comuns. Espaços descolados, generosos e com muito design”, comenta Basiches.| BasichesArquitetos