Incêndio no Memorial evidencia falhas
31/12/2013

Incêndio no MemorialO incêndio no Memorial, no final do mês de novembro, mais um de grandes proporções atingiu um de nossos empreendimentos. Desta vez, o incidente provocou forte comoção, pois ocorreu no Memorial da América Latina, centro cultural da cidade de São Paulo, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Embora as causas ainda não tenham sido confirmadas, as notícias apontam que fogo teria se iniciado quando a energia elétrica, que havia tido uma queda, retornou e causou um curto circuito no auditório Simón Bolívar. As chamas comprometeram cerca de 50% do local.

Mas a questão é muito mais ampla que as causas desse incêndio. O que deve, mais uma vez, ser discutido é o sistema de prevenção adotado nos empreendimentos brasileiros, a Norma Brasileira Regulamentadora (NBR), pouco eficaz e ainda não unificada no território nacional. Quem fiscaliza as instalações é o Corpo de Bombeiros, ou seja, um órgão estadual, o que faz com que as regras existentes variem conforme o local da edificação. O pior problema ainda não é esse, já que a legislação permite a liberação para funcionamento somente com as mínimas exigências atendidas.

A preocupação em atender as exigências mínimas pode ser explicada pelo fato de muitos estabelecimentos se preocuparem apenas com a obtenção do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). O documento é emitido durante vistoria para certificação da condição de segurança contra incêndios, prevista pela legislação, e estabelece a data da próxima vistoria, dando menos atenção a fatores como instalação e funcionamento.

Os prejuízos e riscos que a falta de rigidez das normas brasileiras causam ficaram mais uma vez em evidência com o incêndio ocorrido no Memorial da América Latina. Felizmente, não houve feridos graves, mas esta é mais uma boa oportunidade para nos perguntarmos sobre até quando nossos patrimônios e nossas vidas serão postos em risco por conta da falta de atenção a um item tão importante quando o assunto é segurança.

Felipe Melo é engenheiro eletricista com MBA em Gestão de Projetos e Diretor de Projetos da ICS Engenharia, empresa especializada em proteção contra incêndio.| ICSEngenharia

As casas de Oscar Niemeyer
13/11/2012

A Editora Gustavo GG Brasil lança Casas, o primeiro livro dedicado unicamente aos projetos, construídos ou não, das casas de Niemeyer como casa Cavalcanti, Juscelino Kubitschek, Francisco Pignatari, Darcy Ribeiro, Orestes Quércia entre outras. Suas casas dividem-se em três fases com suas primeiras influencias da arquitetura de Le Corbusier e Lúcio Costa, suas referências coloniais brasileiras e a evolução de seu estilo arquitetônico único, em que o arquiteto assumiu uma crescente liberdade formal para fazer o uso da plasticidade do concreto armado. “E tudo começou quando iniciei os primeiros estudos de Pampulha – minha primeira fase – desprezando deliberadamente o ângulo reto e a arquitetura racionalista feita de régua e esquadro, para penetrar corajosamente nesse mundo de curvas e retas que o concreto oferece” afirma o arquiteto. Pouco interessado na produção de sua arquitetura em larga escala, Niemeyer preocupa-se mais com a perfeita implantação de suas casas na topografia e com sua integração com a paisagem. O resultado é um conjunto de casas únicas que, complementadas pelo trabalho de Athos Bulcão e do paisagista Burle Marx. Além da emblemática Casa das Canoas, este livro apresenta uma seleção de casas construídas de 1940 a 2005, que inclui exemplares pouco divulgados, como a Strick House, nos Estados Unidos, e a própria residência do arquiteto em Brasília. Com mais de trezentas fotografias e croquis do próprio arquiteto, Oscar Niemeyer-Casas destina-se a estudantes e a todos os profissionais interessados em compreender a obra de um dos mais importantes arquitetos de todos os tempos.| Alan Hess é arquiteto e mestre em arquitetura pela University of California em Los Angeles (UCLA), onde também lecionou. É autor de diversos livros de arquitetura, entre os quais The Architecture of John Lautner (1999), The Houses of Frank Lloyd Wright (2005), Organic Architecture: The Other Modernism (2006) e Forgotten Modern: California Houses 1940-1970 (2008). Alan Weintraub é fotógrafo especializado em arquitetura, cujo trabalho é internacionalmente reconhecido em publicações monográficas de projetos de grandes arquitetos, como Frank Lloyd Wright, Oscar Niemeyer e John Lautner.| Dados técnicos: Oscar Niemeyer-Casas / Editora: Ggbrasil / Alan Hess / Fotografías: Alan Weintraub / 22 x 28 cm / 232 páginas / ISBN: 9788425224812 / Capa dura com sobrecapa / 2012 / R$ 149,00| ggili

Lelé em Salvador
07/11/2012

A arquitetura de Lelé

Museu da Casa Brasileira leva a Salvador a exposição “A arquitetura de Lelé: fábrica e invenção”, até 19 de novembro. Realizada originalmente em 2010 no Museu da Casa Brasileira, “A arquitetura de Lelé: fábrica e invenção” tem curadoria do arquiteto e professor da Universidade de Delft, Max Risselada e do arquiteto e diretor técnico do MCB, Giancarlo Latorraca. A mostra possibilita apreender o apuro técnico e a grande inventividade deste arquiteto brasileiro. A exposição inicia com um painel cronológico de suas centenas de obras, elucidando o processo de racionalização do canteiro presente na trajetória do arquiteto, em sua serie de fábricas implantadas ao longo dos anos. Em destaque com maquetes, fotografias, desenhos e vídeo-animações, estão os sistemas e tecnologias desenvolvidos para a construção de passarelas que marcam a paisagem da cidade de Salvador; hospitais e centros de reabilitação do aparelho locomotor; e várias sedes do Tribunal de Contas da União, construídas entre 1992 e 2009, na penúltima fábrica do arquiteto, a do Centro de Tecnologia da Rede Sarah (CTRS). Em mais de 50 anos de carreira, iniciada ao lado de Oscar Niemeyer e Darcy Ribeiro em Brasília, João Filgueiras Lima foi um dos que mais longe levou as propostas do Movimento Moderno. Promoveu a melhoria das condições de vida em nossas cidades por meio de uma arquitetura produzida em série e eticamente comprometida com a construção de uma espacialidade adequada ao homem e ao ambiente em que está inserida.| Serviço: A arquitetura de Lelé: fábrica e invenção / foyer do Teatro Castro Alves / Praça Dois de Julho, S/N, Salvador, Bahia / até 19 de novembro / das 12h às 18h| www.mcb.org.br