Archive for the 'urbanismo' Category

Urbanistas propõem interface entre condomínios e as ruas

Pesquisadoras apontam benefícios da diversidade de ocupação das ruas e sugerem novos papéis para condomínios fechados

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condomínio

Procurando projetar uma paisagem com maior qualidade urbana, buscam-se alternativas viáveis para a produção desse tipo de empreendimento

A rua é um local público por onde transita a população das cidades e, como tal, espaço livre essencial para a vida urbana, sendo determinado pela maneira como os lotes são ocupados e utilizados, delimitando a paisagem. Porém, a relação entre os espaços públicos e privados tem sofrido com interferências que grandes condomínios horizontais fechados, com seus muros altos, estão provocando no desenho urbano.

Em artigo na revista Paisagem e ambiente – Ensaios, Karin Schwabe Meneguetti e Gislaine Elizete Beloto questionam o papel de espaços privados como organizações condominiais, shoppings e os chamados “condomínios horizontais fechados” nas ruas. Estes, na visão das autoras, se tornam espaços marginalizados e utilizados exclusivamente para circulação, principalmente de veículos.

As pesquisadoras apontam os benefícios da “diversidade de uso e ocupação ao longo das ruas, no intuito de suavizar”, nas palavras delas, a “presença inexorável” dos condomínios horizontais fechados. Tal diversidade é uma alternativa para o convívio equilibrado entre os condomínios e as ruas externas a eles e, quando presente, traz “ganho considerável na qualidade da paisagem da via pública“.

Como exemplo de experiência com resultados positivos, as autoras apresentam o caso do loteamento denominado Jardim Imperial, na cidade de Maringá (PR). Lá, a solução encontrada para a questão dos muros postados de frente para as ruas do entorno foi uma sequência de lotes abertos junto a esses muros, que desse modo ficam escondidos, preservando-se a vida da rua. >>>Mais+

 

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Região da Luz em Disputa | observaSP

Mapeamento dos processos em curso / Por Pedro Mendonça, Pedro Lima, Isabel Martin, Gisele Brito e Raquel Rolnik

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Luz em Disputa

Não é de hoje que a região da Luz, no centro de São Paulo, sofre pressões para torná-la mais um polo de expansão do capital imobiliário e seus produtos: centros culturais, condomínios residenciais de classe média, torres corporativas. Há várias décadas, entretanto, esse território popular, um dos bairros mais antigos da cidade, com arquiteturas preservadas, resiste a essas investidas, mesmo que isto tenha implicado em remoções, demolições e uso da violência.

As tentativas do Estado de promover essa expansão imobiliária foram inviabilizadas em função da combinação de quatro fatores: 1) A existência na área de patrimônio histórico tombado, o que impõe limitações a transformações muito radicais. Até 2013, quando esta foi suprimida, o próprio desenho do loteamento era tombado, já que a Luz era um dos últimos remanescentes dos bairros abertos no século XVIII em São Paulo, mesmo assim são dezenas de imóveis tombados pelos órgãos de defesa do Patrimônio Histórico municipal e estadual 2) A propriedade fundiária fragmentada, decorrente de séculos de heranças e divisões de propriedades nem sempre totalmente concluídas; 3) A presença de população de baixa renda vivendo em cortiços, pensões e, mais recentemente, em ocupações organizadas; 4) A concentração, desde a década de 1990, de pessoas usuárias de crack e outras drogas que, ao longo dos anos, mudam de lugar, mas sem nunca sair da região. Essas mudanças de local do chamado fluxo sempre antecedem grandes ações de lacração e demolição que, ao cabo, só aumentam a concentração de dependentes químicos e a degradação do perímetro alvo destas operações. >>>Mais+

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22 anos de Política Habitacional no Brasil: da euforia à crise | Observatório

Observatório das Metrópole

DiretoNaFonte | Observatório das Metrópole

O INCT Observatório das Metrópoles promove o lançamento do livro “22 anos de Política Habitacional no Brasil: da euforia à crise”, que representa talvez o primeiro esforço de balanço crítico das políticas de habitação do ciclo lulista, com foco no Programa Minha Casa Minha Vida. A publicação apresenta também os resultados do Grupo de Pesquisa Habitação e Cidade em torno da problemática da habitação de interesse social; e traz contribuições relativas a indicadores e seu valor simbólico; e envelhecimento e necessidades habitacionais. Segundo Adauto Cardoso, o livro oferece um amplo panorama das políticas de habitação no Brasil, incluindo ainda análises comparativas sobre experiências na América Latina, com ênfase na produção autogestionária do habitat popular. >>>Mais+

Intervenção na Cracolândia: Luz para quem? | Raquel Rolnik

DiretoDaFonte | BlogDaRaquel

Desde o último domingo (21), está ocorrendo uma operação de enormes proporções na chamada “cracolândia”, em São Paulo, envolvendo ações policiais antitráfico, internação de dependentes químicos, interdição e demolição de imóveis, marcada por forte aparato policial e uso da violência. O ponto mais emblemático e trágico dessa operação foi a derrubada da parede de uma pensão com pessoas ainda dentro do prédio. Três delas ficaram feridas.

Digo “a chamada cracolândia” porque essa forma de identificar o bairro da Santa Ifigênia, na região da Luz, tem sido parte da máquina que tenta a todo custo destruir o bairro, que conta com alguns dos patrimônios históricos mais antigos da cidade, e eliminar sua atual dinâmica de ocupação (que envolve, entre outros, o maior polo de comércio de eletrônicos da América Latina) para, em seu lugar, erigir a “Nova Luz”, local de torres brilhantes, centros culturais, cafés e restaurantes gourmet. >>>Mais+

Periferias resistem à burocratização em busca de uma nova cidadania

Pesquisa observou execução das políticas sociais no cotidiano da periferia da zona sul, a partir de práticas e discursos de profissionais / Por Denis Pacheco

periferias

A zona sul de São Paulo tem mais de 2 milhões de habitantes

TextoCompleto JornalDaUSP

Com uma população de mais de 2 milhões de habitantes, a zona sul de São Paulo foi objeto de uma dissertação de mestrado realizada na USP. O estudo observou a execução das políticas sociais no cotidiano da periferia da zona sul, a partir de práticas e discursos de profissionais e ativistas locais.

Formada em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, a antropóloga Milena Mateuzi Carmo buscou, por meio da observação dos discursos e práticas entre serviços públicos e articulações locais, entender como o dia a dia destes discursos podem tanto reafirmar a forma de poder estatal, quanto resistir a ela.

Para a pesquisadora, a resistência é alimentada por discursos que se constroem localmente a partir da mobilização de identidades que articulam marcadores sociais da diferença, tais como raça, classe e gênero, e a ideia de sofrimento gerada pela reprodução de violências institucionais ligadas a estes marcadores. >>>Mais

Curitiba | Por uma malha cicloviária de qualidade

Profissionais apontam ações necessárias para Curitiba tornar-se, realmente, uma cidade de ciclistas

Para que o curitibano troque o carro pela bicicleta no dia a dia, não é apenas a construção de quilômetros de ciclovia a saída necessária. Segurança e conforto também são itens básicos para todo ciclista.

Curitiba CasaCinco

O arquiteto Ricardo Alberti vê positivamente a iniciativa da prefeitura de Curitiba/ (fotoEduCamargo)

O arquiteto Ricardo Alberti, sócio do escritório CasaCinco, vê positivamente a iniciativa da prefeitura de Curitiba, que anunciou no ano passado a construção de 300 quilômetros de ciclovia. No entanto, ainda há muito a ser melhorado para que isso se torne um instrumento capaz de promover a paulatina troca do carro pela bicicleta. “O uso da bicicleta como meio de transporte tem fortes componentes culturais. Me parece que o brasileiro tende a encarar a bicicleta mais como instrumento de lazer do que como meio de transporte. É necessário um trabalho conjunto em duas frentes: na promoção de infraestrutura física adequada ao da bicicleta e no incentivo ao uso dessa forma de transporte, demonstrando ao usuário suas vantagens e benefícios.”

Uma região carente em infraestrutura cicloviária em Curitiba é a área central, bem como suas conexões com os bairros, que são feitas, em grande parte, pelas avenidas Marechal Floriano Peixoto, Sete de Setembro, João Gualberto, República Argentina, entre outras. “Acredito que deveriam ser prioritárias ações no sentido de melhoria da mobilidade urbana nessas regiões. Com bom planejamento e emprego de modais adequados todo espaço pode ser adaptado”, diz Alberti.

“A região sul de Curitiba concentra a maior parte da população da capital e, entretanto, é insuficiente em termos de infraestrutura urbana. Existem também núcleos urbanos adensados, como Pinheirinho, Portão e Sítio Cercado, que merecem atenção extra”, lembra o arquiteto Alberti.

Lucas Fuson, aluno do último ano de Arquitetura e Urbanismo na UFPR e estagiário da CasaCinco, é usuário frequente da bicicleta e acompanha o andamento das políticas públicas acerca do incentivo e do uso deste veículo de transporte. Além disso, o trabalho de graduação dele prevê a criação de estações de apoio ao ciclista em Curitiba. Estas estações consistem em um equipamento urbano inserido em pontos estratégicos, que oferece diferentes serviços, como estacionamento, duchas, vestiário, oficina, lockers (guarda-volume), aluguel de bicicletas e loja de peças. O projeto parte de um módulo de 240×240 cm, de modo a se adaptar de acordo com a demanda de cada ponto a ser implantado. Além destes serviços, permite que o usuário se conecte a diferentes modais de transporte, podendo fazer o trajeto desejado de forma mais eficiente.

Alberti destaca que essas estruturas, que constituem em um grande desejo de grande parte dos usuários, devem estar associadas a iniciativas de segurança pública para que seu uso seja incentivado. “Essas estações de apoio podem ser um bom instrumento de intermodalidade, para que, se necessário, o trajeto seja completado com o uso dos sistemas de transporte”, afirma.

Exemplos positivos e negativos – As cidades de Copenhague e Amsterdã são referências quando se fala em malha cicloviária de qualidade, com políticas públicas que incentivam este meio de transporte. Além destas, é possível citar Londres, Paris, Berlim, e até mesmo Nova Iorque. Na América do Sul são destaques em ciclomobilidade as cidades de Santiago e Buenos Aires.

Joinville pode ser citada como um exemplo de insucesso. Motivada pela facilidade de aquisição do automóvel e pelo falta do incentivo ao uso da bicicleta, a população local vê atualmente a ex-capital nacional da bicicleta sofrer com os congestionamentos e falta de segurança para os que ainda se aventuram sobre duas rodas.| webCasaCinco

FMC | Boulevard na Frei Caneca

A associação Casarão Brasil e o escritório FMC, Boulevard na Rua Frei Caneca pode se tornar realidade
FMC | Boulevard na Frei Caneca

FMC – Ferrés, Milani & Campanhã, vencedor do concurso em associação com o escritório Fondarius, de Barcelona

Os moradores, comerciantes e frequentadores da região da Rua Frei Caneca, em São Paulo, poderão contar com um boulevard agradável, com três áreas de convivência e lazer e um anfiteatro ao ar livre, em uma via totalmente reurbanizada. A ideia básica para o projeto está pronta e foi reencaminhada no último dia 25 de fevereiro na Subprefeitura da Sé.

Trata-se de uma iniciativa da Associação LGBT Casarão Brasil, que em 2010 promoveu um concurso em parceria com o IAB (Instituto dos Arquitetos do Brasil). O vencedor do concurso foi o escritório de arquitetura FMC – Ferrés, Milani & Campanhã, em associação com o escritório Fondarius, de Barcelona.

Como nos casos das ruas Oscar Freire e parte da Avanhandava, o projeto prevê a remodelação das calçadas, modificação na iluminação e enterramento dos fios da rede elétrica, reorganização do trânsito e recuperação das áreas verdes já existentes, com a criação de espaços de lazer ao longo da via, devolvendo o uso do espaço público para as pessoas.

Pelo projeto haverá quatro áreas principais: um parque/jardim na antiga Maternidade São Paulo, uma praça na Igreja Divino Espírito Santo, um mercado ao ar livre na esquina do Shopping Frei Caneca, além de um teatro ao ar livre na área da escadaria que liga a Frei Caneca à parte antiga da Rua Avanhandava, que também será beneficiada por esta reurbanização.

“Nossa ideia principal foi recuperar o espaço público e humanizá-lo para torná-lo mais agradável às pessoas”, conta Conrado Ferrés, um dos sócios do escritório FMC.

Para o presidente da Associação LGBT Casarão Brasil, Rogério de Oliveira, a viabilização deste projeto proporcionará uma melhora na qualidade de vida de toda a região, valorizará imóveis e o comércio, diminuirá ocorrências policiais, principalmente as ligadas ao uso de drogas e atitudes homofóbicas.

A associação Casarão Brasil e o escritório FMC esperam que em breve a Subprefeitura da Sé encaminhe o projeto para órgãos municipais, como o SP Urbanismo, para que a Prefeitura e a iniciativa privada possam contratar o projeto executivo e planejar o início das obras de reurbanização da Rua Frei Caneca. | webCasarãoBrasil | webFMC

Verde que falta nas cidades e o calor

Benefícios fiscais trarão mais verde e qualidade de vida para as cidades brasileiras
Renan Guimarães A.T.Verde

“Mais verde e qualidade de vida para as cidades”

O Brasil tem vivido intensas ondas de calor. A sensação térmica chegou a 40ºC em vários municípios. No Rio de Janeiro, ultrapassou os 46ºC. Janeiro de 2014 foi o mais quente já registrado pelo Inmet na capital paulista, desde o início das medições realizadas no Mirante de Santana, em 1943. Curitiba tem recorde de alta temperatura, e Porto Alegre chegou a estar entre as cidades mais quentes do mundo, entre outros exemplos.

As pessoas sofrem com a baixa umidade do ar. A justificativa pode estar nas mudanças climáticas ou em algum processo natural com o qual não estamos acostumados, mas nada muda o fato do que intensifica esse calor: a ausência de verde nos centros urbanos cobertos de asfalto e concreto.

Telhados verdes e jardins verticais, por exemplo, melhoram o conforto térmico de qualquer ambiente. Espalhados pelas cidades, envolvendo edifícios em grandes avenidas, casas e lojas, trariam benefícios incontáveis, principalmente no verão. Casas e prédios usariam menos o ar condicionado, e as pessoas não enfrentariam tantos problemas respiratórios. Problemas com enchentes seriam atenuados, já que a água da chuva pode ser captada pelos ecotelhados. Sistemas com reservas de água e que reutilizem a água pluvial e de esgoto seriam os mais adequados em regiões secas e castigadas por altas temperaturas.

A necessidade de mais infraestrutura verde urbana é pauta em muitas cidades brasileiras. Já existe o reconhecimento de que precisamos modificar a forma com que estruturamos as nossas cidades e que é fundamental trazer a natureza de volta. Discute-se, inclusive, formas de beneficiar àqueles que adotarem práticas de infraestrutura verde, como telhados e paredes verdes, uso de energias renováveis, arborização, agricultura e apicultura urbana, tratamento e reaproveitamento de águas pluviais e até mesmo cloacais. No entanto, cada cidade tem sua própria normatização a respeito.

Goiânia e Guarulhos têm normas semelhantes que concedem descontos sobre o IPTU dos imóveis daqueles que dotarem seus empreendimentos com técnicas de infraestrutura verde. Por elas, o desconto pode ser de até 20% da alíquota pelo período de cinco exercícios consecutivos, havendo a fiscalização periódica do município para verificar o cumprimento das medidas.

São Bernardo do Campo/SP também tem o seu IPTU Verde, beneficiando as áreas de cobertura vegetal dos imóveis. Outras cidades brasileiras já adotaram o IPTU Verde promovendo técnicas de infraestrutura verde, como São Vicente/SP, ou o colocam entre seus projetos. São Carlos/SP reduz em até 2% o IPTU dos imóveis que tiverem áreas permeáveis vegetadas no seu perímetro, podendo, assim, os telhados verdes serem utilizados para esse fim.

Porto Alegre/RS ainda não possui IPTU Verde, mas existe a possibilidade de substituir com telhado verde parte da área do imóvel que deveria ser livre de edificações, podendo construir mais no terreno. O município do Rio de Janeiro criou o selo Qualiverde que beneficia tais técnicas e quem adquire tem preferência nos processos de licenciamento da obra. Quanto a benefícios fiscais, já foram encaminhados projetos normativos para que os que possuírem o selo possam ser contemplados com benefícios fiscais.

João Pessoa possui lei que, inclusive, obriga à instalação de telhados verdes em determinadas construções, e nela ainda está prevista a criação de incentivos fiscais para esse fim. São Paulo, Curitiba e muitas outras cidades têm projetos semelhantes, apesar de suas imperfeições.

Verifica-se em todo o Brasil o encaminhamento de muitos projetos para serem aprovados que colocam os incentivos como o principal caminho para promover a natureza nos ambientes urbanos. A tendência, assim, é o aumento gradual do número de municípios que oferecem descontos das alíquotas do imposto aos que adotarem as tecnologias de infraestrutura verde nas suas edificações.

Certamente, essas iniciativas trarão mais verde para os centros urbanos e nos ajudarão a enfrentar os próximos períodos de verão com mais qualidade de vida. Afinal, não bastam medidas para combater as mudanças climáticas, precisamos de mais conforto para convivermos com elas.

Renan Guimarães – secretário executivo da Associação Tecnologia Verde Brasil e especialista em direito ambiental| webATVerde

Mobilidade urbana e arquitetura

Melhores praticas de mobilidade urbana e arquitetura é tema de Evento em São Paulo reúne especialistas estrangeiros e estudantes
Mobilidade urbana e arquitetura

Mobilidade urbana e arquitetura no evento “A Cidade e o Jovem” em São Paulo

Entre os dias 11 e 20 de março, algumas das principais faculdades de São Paulo receberão o evento “A Cidade e o Jovem”, organizado pela ONG Opção Brasil, que reunirá profissionais e estudantes das áreas de arquitetura e urbanismo de diferentes países com o objetivo de explorar contribuições em palestras e oficinas para a melhoria da mobilidade urbana nas megalópoles no futuro.

O evento será sediado nas universidades Mackenzie, PUC, FiamFaam, Uninove, Belas Artes, Fundação Santo André e Escola da Cidade, que terão especialistas do setor de arquitetura e urbanismo trazendo cases de reestruturação de áreas urbanísticas em prol da sociedade, além de abordar a mobilidade urbana e culturas milenares que refletem seus costumes como soluções para o mundo atual e futuro.

Além das palestras, oficinas e vivências estarão na programação do evento, com troca de experiências sobre os temas debatidos com base em vivências pelo mundo.| webACidadeeoJovem

Opção Brasil – A Opção Brasil é uma Organização Não Governamental fundada em 1991 com o objetivo promover a participação social, autônoma e empreendedora da juventude universitária na América Latina a partir do estímulo às práticas extensionistas das universidades da região, além de construir um espaço de participação da juventude no país.| webOpçãoBrasil

 

Jorge Wilheim, um ícone arquitetura

Jorge Wilheim (1928-2014) – O arquiteto e urbanista, Jorge Wilheim, morreu em fevereiro último, aos 85 anos em decorrência de um acidente automobilístico, ocorrido em dezembro do ano passado.

O profissional foi responsável pela reurbanização do Vale do Anhangabaú em 1994, pelo desenvolvimento do Parque do Anhembi em 1967 e pela reurbanização do Pátio do Colégio em 1975.

Para o professor Valter Caldana Junior, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o arquiteto que impressionava a todos pela forma com que se relacionava com as pessoas foi um profissional completo que inovou em vários momentos o setor no país.

“Wilheim soube como ninguém, aliar a capacitação técnica e a articulação política. Durante toda a sua vida colocou seu conhecimento a serviço do interesse público, exercendo cargos importantes na administração pública Municipal e Estadual”, afirma Caldana.

Em vida ocupou cargos executivos como o de Secretário de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo, na década de 1970, e por duas décadas o de Secretário de Planejamento da capital paulista, nas gestões de Mário Covas e Marta Suplicy. Trabalhou com Paulo Egídio Montoro, Covas e Marta, além de organizar a Secretaria Estadual de Meio ambiente.| webMackenzie

Jorge Wilheim, o pensador de cidades (1928-2014)

Jorge Wilheim (1928-2014)Jorge Wilheim faleceu na sexta-feira, 14 de fevereiro. Estava internado desde dezembro do ano passado, em decorrência de um acidente de carro. O enterro ocorreu no mesmo dia no Cemitério Israelita do Butantã, em São Paulo.

Jorge Wilheim nasceu em 1928, na cidade italiana de Trieste e aos 12 anos mudou com a família para o Brasil. Aos 85 anos, 60 dos quais dedicados à arquitetura, ao urbanismo, à administração pública, à produção intelectual e às artes, Wilheim, “um homem que pensa a cidade”, se destaca como um dos mais importantes e visionários urbanistas brasileiros.

O arquiteto e urbanista – Jorge Wilheim é responsável por um legado inestimável de emblemáticos projetos, obras e conceitos, entre os quais vários cartões postais paulistanos, como o Vale do Anhangabaú (1º entre 94 em concurso público para a reurbanização, 1981-91), o Parque Anhembi (1967-73) e o Pátio do Colégio (projeto de reurbanização, 1975).

Da sua prancheta também saíram os projetos de muitas das referências arquitetônicas e urbanas que conhecemos, tais como: a sede do Clube Hebraica (1961), o TAIB – Teatro de Arte Israelita-Brasileiro (1961), o Serviço Social das Indústrias (Sesi) – Vila Leopoldina (1974), a sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (1975), o centro de diagnósticos do Hospital Albert Einstein (1978/85), a Galeria Ouro Fino, o Shopping Center 3 (1961), diversas escolas profissionais para o SENAC, e muitos outros.

Como um dos renovadores da urbanística no País, Wilheim sempre teve distinta atuação profissional, ocupando diversos cargos e funções no Instituto dos Arquitetos do Brasil. Por trabalhos profissionais, recebeu os prêmios “Tarsila do Amaral” (1956), “Governador do Estado” (1964), “IAB de Urbanismo” (1965 e 67), “IAB para Ensaio” (1965 e 67), “Pensador de Cidades Luiz Antonio Pompéia” (2010) e a Ordem do Mérito de Brasília (1985).

O planejador – Ainda na década de 1950, recém-formado arquiteto pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, enfrentou o desafio de projetar uma nova cidade para 15 mil pessoas no Mato Grosso, com a finalidade de desenvolver a região. Assim nasceu sua precoce consciência ecológica e Angélica, cidade modelo em planejamento urbano.

Expressivo formulador do chamado “planejamento estratégico” no Brasil, conceito criado pelos teóricos Manuel Castells e Jordi Borja, uma de suas contribuições pioneiras foi a criação dos Planos Diretores. Profundo conhecedor de muitas cidades e habituado a liderar equipes multidisciplinares, foi responsável por mais de vinte planos urbanísticos, destacando-se os de Curitiba, Goiânia, Natal, São Paulo, Campinas e São José dos Campos entre dezenas de outras cidades.

Questões ambientais – Um dos pioneiros na abordagem da questão ambiental, em 1981, Wilheim realizou aquele que provavelmente foi o primeiro estudo de impacto ambiental no País, para a Alcoa, na cidade de São Luiz do Maranhão. Na esfera pública, organizou a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (a primeira do Brasil) e, durante sua gestão, estruturou o órgão que compreendeu a CETESB, a Fundação Florestal, três institutos de pesquisa (Florestal, Botânico e Geológico) e a Polícia Florestal. Também implantou a primeira utilização oficial de álcool combustível no País, programa que seria conhecido mais tarde como PróAlcool.

Contribuições internacionais – Jorge Wilheim teve intensa carreira internacional e recebeu inúmeros convites para aplicar suas ideias de vanguarda em escala global. Destacou-se como Secretário Geral Adjunto da divisão da ONU para a realização da Conferência Global Habitat 2; participou das reuniões preparatórias da Conferência de Estocolmo (Suécia); e foi, durante anos, o representante brasileiro na Comissão de Urbanismo da União Internacional dos Arquitetos, órgão assessor da UNESCO. Também ocupou a cátedra Rio Branco na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e proferiu dezenas de conferências no exterior.

O homem público – No campo político, sua atuação é marcante e teve importante atuação no processo de redemocratização do país. Foi Secretário de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo (1975-79); e duas vezes Secretário de Planejamento da capital paulista (gestão Mário Covas e Marta Suplicy).

Suas principais marcas no Governo do Estado de São Paulo foram a criação do PROCON, da Fundação SEADE, da EMTU, e do “Passe do Trabalhador”, hoje conhecido como Vale Transporte. Foi também presidente da Emplasa, Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo, onde elaborou o primeiro Plano Metropolitano da macrometrópole paulista.

Como Secretário de Planejamento do Município de São Paulo, criou o pioneiro Passe do Idoso, o Cadastro Cultural das Referências Urbanas, o Conselho de Política Urbana, o Fundurb, o Plano Diretor Estratégico e os 31 Planos Estratégicos das Sub-Prefeituras de São Paulo.

O escritório – Inclinado a grandes desafios, no comando de uma consolidada equipe de arquitetos em um escritório que leva seu nome, Jorge Wilheim tem como trabalhos mais recentes a liderança em consórcios internacionais como os Estudos Urbanísticos para as estações do TAV – Trem de Alta Velocidade e coordenação geral na elaboração do Operação Urbana Rio Verde-Jacu em São Paulo; além de importantes projetos de desenvolvimento urbano na incessante busca por cidades mais humanas e criativas, onde seja promovida a diversidade de usos e classes sociais.

O intelectual – Articulista frequente dos principais jornais e revistas do País, Jorge Wilheim é autor de 10 livros sobre vida urbana, publicados por diferentes editoras de São Paulo, Buenos Aires e Londres. Sua obra mais recente é São Paulo: uma interpretação (Editora SENAC), premiada pela Academia Paulista de História na categoria Melhor Livro Publicado em 2011 sobre São Paulo. Jorge Wilheim se destaca ainda pela participação ativa no mundo das artes plásticas. Trabalhando junto com Pietro Maria Bardi, participou da montagem do MASP, foi Presidente da Fundação Bienal de São Paulo e membro de inúmeras, fundações, museus e instituições de artes plásticas no País. “Depois de pregar inovações urbanas pragmáticas na cúpula do mundo, ele quer enraizar sua cadeira no parque, sob frondosa árvore, rodeado de pássaros e jovens. Estou certo que nos encontraremos lá, onde renovaremos nossas conversas de décadas sobre cidades, políticas, sobre a verdadeira revolução. Tem sido uma longa viagem, Jorge. Mas como ainda não chegamos ao destino, temos que partir de novo.” (Manuel Castells, sociólogo, em prefácio dedicado ao livro comemorativo de 50 anos de carreira do arquiteto, A obra pública de Jorge Wilheim /DBA Artes Gráficas, 2003)./ Fonte: Jorge Wilheim Consultores.| webJWConsultores