Archive for the ‘Urbanidade’ Category

Curitiba | Por uma malha cicloviária de qualidade
30/04/2014

Profissionais apontam ações necessárias para Curitiba tornar-se, realmente, uma cidade de ciclistas

Para que o curitibano troque o carro pela bicicleta no dia a dia, não é apenas a construção de quilômetros de ciclovia a saída necessária. Segurança e conforto também são itens básicos para todo ciclista.

Curitiba CasaCinco

O arquiteto Ricardo Alberti vê positivamente a iniciativa da prefeitura de Curitiba/ (fotoEduCamargo)

O arquiteto Ricardo Alberti, sócio do escritório CasaCinco, vê positivamente a iniciativa da prefeitura de Curitiba, que anunciou no ano passado a construção de 300 quilômetros de ciclovia. No entanto, ainda há muito a ser melhorado para que isso se torne um instrumento capaz de promover a paulatina troca do carro pela bicicleta. “O uso da bicicleta como meio de transporte tem fortes componentes culturais. Me parece que o brasileiro tende a encarar a bicicleta mais como instrumento de lazer do que como meio de transporte. É necessário um trabalho conjunto em duas frentes: na promoção de infraestrutura física adequada ao da bicicleta e no incentivo ao uso dessa forma de transporte, demonstrando ao usuário suas vantagens e benefícios.”

Uma região carente em infraestrutura cicloviária em Curitiba é a área central, bem como suas conexões com os bairros, que são feitas, em grande parte, pelas avenidas Marechal Floriano Peixoto, Sete de Setembro, João Gualberto, República Argentina, entre outras. “Acredito que deveriam ser prioritárias ações no sentido de melhoria da mobilidade urbana nessas regiões. Com bom planejamento e emprego de modais adequados todo espaço pode ser adaptado”, diz Alberti.

“A região sul de Curitiba concentra a maior parte da população da capital e, entretanto, é insuficiente em termos de infraestrutura urbana. Existem também núcleos urbanos adensados, como Pinheirinho, Portão e Sítio Cercado, que merecem atenção extra”, lembra o arquiteto Alberti.

Lucas Fuson, aluno do último ano de Arquitetura e Urbanismo na UFPR e estagiário da CasaCinco, é usuário frequente da bicicleta e acompanha o andamento das políticas públicas acerca do incentivo e do uso deste veículo de transporte. Além disso, o trabalho de graduação dele prevê a criação de estações de apoio ao ciclista em Curitiba. Estas estações consistem em um equipamento urbano inserido em pontos estratégicos, que oferece diferentes serviços, como estacionamento, duchas, vestiário, oficina, lockers (guarda-volume), aluguel de bicicletas e loja de peças. O projeto parte de um módulo de 240×240 cm, de modo a se adaptar de acordo com a demanda de cada ponto a ser implantado. Além destes serviços, permite que o usuário se conecte a diferentes modais de transporte, podendo fazer o trajeto desejado de forma mais eficiente.

Alberti destaca que essas estruturas, que constituem em um grande desejo de grande parte dos usuários, devem estar associadas a iniciativas de segurança pública para que seu uso seja incentivado. “Essas estações de apoio podem ser um bom instrumento de intermodalidade, para que, se necessário, o trajeto seja completado com o uso dos sistemas de transporte”, afirma.

Exemplos positivos e negativos – As cidades de Copenhague e Amsterdã são referências quando se fala em malha cicloviária de qualidade, com políticas públicas que incentivam este meio de transporte. Além destas, é possível citar Londres, Paris, Berlim, e até mesmo Nova Iorque. Na América do Sul são destaques em ciclomobilidade as cidades de Santiago e Buenos Aires.

Joinville pode ser citada como um exemplo de insucesso. Motivada pela facilidade de aquisição do automóvel e pelo falta do incentivo ao uso da bicicleta, a população local vê atualmente a ex-capital nacional da bicicleta sofrer com os congestionamentos e falta de segurança para os que ainda se aventuram sobre duas rodas.| webCasaCinco

Copan | perspectivas no Instagram
28/04/2014

Um dos edifícios mais famosos da cidade, o Copan é também um dos locais mais fotografados no Instagram

Com assinatura de Oscar Niemeyer, o prédio histórico acaba de ganhar destaque no blog internacional da rede social, espaço reservado para imagens impactantes de cidades do mundo todo feitas no aplicativo. A curadoria das imagens foi feita pela equipe do Facebook Brasil.

Copan

Copan no Instagram

Além de ícone na arquitetura do país, o Copan é símbolo do resgate da região central de São Paulo. Um dos endereços mais cobiçados no circuito alternativo da cidade, o prédio teve seu valor de metro quadrado extremamente valorizado nos últimos anos. Além dos apartamentos, abriga estabelecimentos comerciais e de entretenimento, entre eles o badalado Bar da Dona Onça, comandado pela chef Janaína Rueda, que fica no térreo do condomínio.

O prédio nasceu como um projeto apresentado por Oscar Niemeyer em 1951, encomendado para a comemoração do IV Centenário da cidade de São Paulo. A ideia de um espaço que unia um grande centro de comércio, lazer e residências foi inspirada no Rockefeller Center, de Nova York. Os números também são superlativos: 115 metros de altura, 35 andares e cerca de dois mil residentes divididos entre 1160 apartamentos. No térreo, a área comercial no térreo possui 72 lojas divididas entre restaurantes, bares, lojas e serviços diversos.| webInstagramCopan

Reciclagem por Ariovaldo Caodaglio
05/03/2014

ReciclagemNúmeros do Cempre (Compromisso Empresarial para Reciclagem), associação sem fins lucrativos mantida por um grupo de grandes empresas brasileiras, mostram que nosso país está avançando na reciclagem

Atingindo índices satisfatórios em alguns segmentos, mas deixando a desejar em outros: 96,2% da produção nacional de latas de alumínio; 47% da resina PET; 45% das embalagens de vidro; 29% das latas de aço; 23% das 46 mil toneladas de embalagens longa vida pós-consumo; e 20% dos plásticos.

Nesses itens, estamos à frente de numerosas nações, como nas garrafas de PET, ou razoavelmente inseridos nas médias mundiais. Entretanto, há um aspecto particularmente preocupante: a reciclagem de apenas 3% do lixo sólido orgânico urbano. Evoluir nesse item específico é importante para a melhoria do meio ambiente, ganhos econômicos na produção e também no aspecto social, contemplando, assim, as três vertentes do mais contemporâneo conceito de sustentabilidade.

Vale lembrar que a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) definiu o conceito de “rejeito” da seguinte maneira: somente podem ser assim caracterizados os materiais que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição final ambientalmente adequada. A fração orgânica dos resíduos domiciliares corresponde entre 48% e 55% do total do resíduo domiciliar gerado. Para uma produção anual de aproximadamente 64 milhões de toneladas de resíduos, temos então mais de 30 milhões de toneladas de resíduos orgânicos que não são ainda tecnicamente rejeitos e que, por isso, vão in natura para os aterros e lixões no País.

Há que se resolver isso, cumprindo-se metas até 2030, o que parece tempo suficientemente longo para tal. Não é! As grandes cidade ou consórcios das pequenas e médias terão de iniciar já a implantação dos respectivos Planos de Gestão, ou irá pairar a ameaça de validação da máxima que não somos afeitos ao cumprimento de metas, ou, em outras palavras, a assumirmos responsabilidades públicas.

O trabalho das cooperativas é importante, mas não é suficiente para atender à gigantesca demanda. Em 2012, registrou-se um aumento de 1,3% na geração per capita de resíduos. No mesmo período, segundo o IBGE, o número de habitantes aumentou apenas um por cento. Conclui-se, portanto, que a inclusão social nos últimos dez anos e a maior renda estão fazendo com que o incremento do consumo (e, portanto, a geração de resíduos) fique acima da expansão demográfica. Ótimo! Entretanto, precisamos atender com eficácia a essa demanda ambiental.

Para isso, o grande salto é o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, cuja implantação, contudo, está atrasada em pelo menos metade dos 5.564 municípios brasileiros. Aliás, o descumprimento de cronograma relativo à execução do plano já comprometeu definitivamente a erradicação dos lixões em todo o País até 2014, como estava originalmente previsto na Política Nacional relativa ao tema (Lei nº 12.305). O que será feito?

Com o atraso do programa, não só estamos postergando um processo capaz de melhorar muito o meio ambiente, como também retardando o crescimento da reciclagem. Ao invés de um círculo virtuoso de coleta de resíduos sólidos, seletividade, encaminhamento para aterros sanitários modernos e adequados e reciclagem em grande escala, estamos mantendo o círculo vicioso da letargia.

Ariovaldo Caodaglio, cientista social, biólogo, estatístico e pós-graduado em meio ambiente, é presidente do SELUR (Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana no Estado de São Paulo).| webSELUR