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FGTS obriga o uso de materiais certificados
14/02/2014

Resolução do conselho curador do FGTS obriga o uso de materiais qualificados pelos PSQs/PBQP-H ou certificados. Blocos e pisos intertravados de concreto estão inseridos no PSQ/PBQP-H e as melhores empresas do setor cumprem as normas da ABNT

FGTS obriga o uso de materiais certificados / BlocoBrasilUma resolução publicada em dezembro último pelo Conselho Curador do FGTS exercerá papel fundamental para melhorar a qualidade dos programas habitacionais financiados pelos recursos do fundo. A Resolução nº 735/2013 altera o item 1 da Resolução nº 688/2012, que dispõe sobre as condições para contratação de operações de financiamento por programas habitacionais financiados com recursos do FGTS, passando a incluir, entre outras exigências, a obrigatoriedade da aquisição de materiais qualificados pelos Programas Setoriais da Qualidade (PSQs) do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Hábitat (PBQP-H), do Ministério das Cidades. A resolução estimula ainda o emprego de tecnologias inovadoras, testadas e aprovadas conforme a Norma de Desempenho, NBR 15.575/2013.

“Essa resolução e a obrigatoriedade de aquisição de produtos qualificados pelo PSQ/PBQP-H é histórica para a cadeia produtiva da construção civil brasileira, porque exige a compra de produtos de qualidade, produzidos segundo as normas da ABNT e inseridos nesses programas do governo federal, que visam à melhoria da qualidade do hábitat e a modernização produtiva”, avalia Ramon Otero Barral, presidente da BlocoBrasil-Associação Brasileira dos Fabricantes e Blocos de Concreto.

O presidente da BlocoBrasil lembra que os melhores fabricantes brasileiros de blocos e pisos intertravados de concreto estão inseridos no PSQ, sob a coordenação e representação do Sinaprocim (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos de Cimento), que também coordena nesse programa os setores de lajes pré-fabricadas de concreto e argamassas colantes dos tipo ACI e ACII.Segundo Barral, construtores e incorporadores que atuam em programas financiados por recursos do FGTS, como boa parte do Programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, precisam estar atentos e verificar se seus fornecedores de blocos e pisos e de outros materiais atendem a essa exigência, sob pena de serem penalizados pela não-obtenção de financiamento para seus empreendimentos. “No caso de blocos e pisos intertravados de concreto, uma boa garantia para construtores e incorporadores é buscar, em cada estado, fabricantes associados à BlocoBrasil, pois eles precisam ter o Selo de Qualidade da ABCP para poderem se associar à entidade.

O Selo de Qualidade só é concedido àquelas empresas que produzem de acordo com as exigências das normas da ABNT”, destaca Barral. Para o presidente executivo do Sinaprocim/Sinprocim, Carlos Roberto Petrini, essa e outras iniciativas contribuem para a melhoria da qualidade dos materiais e das construções em geral e da isonomia competitiva do setor, que tem mais de 4.000 empresas no país. Ele destaca também as ações de combate à não-conformidade desenvolvidas pela entidade no âmbito das licitações irregulares, fabricação de artefatos em canteiro e aquisição de produtos fora de norma, entre outros.

Principais vantagens da nova Resolução do Conselho Curador do FGTS

Aos compradores da casa própria – Garantia de utilização de produtos de qualidade, fabricados segundo as normas da ABNT; edificações melhores e mais duráveis, com menos gasto com manutenção

Às construtoras e incorporadoras – Garantia de utilização de produtos de qualidade, fabricados segundo as normas da ABNT; edificações melhores e mais duráveis; atendimento à norma de desempenho; menor número de reclamações pós-entrega

Ao governo e agentes de financiamento – Edificações de qualidade, mais duráveis e com menos problemas; menor número de reclamações pós-entrega| BlocoBrasil

Incêndio no Memorial evidencia falhas
31/12/2013

Incêndio no MemorialO incêndio no Memorial, no final do mês de novembro, mais um de grandes proporções atingiu um de nossos empreendimentos. Desta vez, o incidente provocou forte comoção, pois ocorreu no Memorial da América Latina, centro cultural da cidade de São Paulo, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Embora as causas ainda não tenham sido confirmadas, as notícias apontam que fogo teria se iniciado quando a energia elétrica, que havia tido uma queda, retornou e causou um curto circuito no auditório Simón Bolívar. As chamas comprometeram cerca de 50% do local.

Mas a questão é muito mais ampla que as causas desse incêndio. O que deve, mais uma vez, ser discutido é o sistema de prevenção adotado nos empreendimentos brasileiros, a Norma Brasileira Regulamentadora (NBR), pouco eficaz e ainda não unificada no território nacional. Quem fiscaliza as instalações é o Corpo de Bombeiros, ou seja, um órgão estadual, o que faz com que as regras existentes variem conforme o local da edificação. O pior problema ainda não é esse, já que a legislação permite a liberação para funcionamento somente com as mínimas exigências atendidas.

A preocupação em atender as exigências mínimas pode ser explicada pelo fato de muitos estabelecimentos se preocuparem apenas com a obtenção do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). O documento é emitido durante vistoria para certificação da condição de segurança contra incêndios, prevista pela legislação, e estabelece a data da próxima vistoria, dando menos atenção a fatores como instalação e funcionamento.

Os prejuízos e riscos que a falta de rigidez das normas brasileiras causam ficaram mais uma vez em evidência com o incêndio ocorrido no Memorial da América Latina. Felizmente, não houve feridos graves, mas esta é mais uma boa oportunidade para nos perguntarmos sobre até quando nossos patrimônios e nossas vidas serão postos em risco por conta da falta de atenção a um item tão importante quando o assunto é segurança.

Felipe Melo é engenheiro eletricista com MBA em Gestão de Projetos e Diretor de Projetos da ICS Engenharia, empresa especializada em proteção contra incêndio.| ICSEngenharia

Norma ABNT assegura garantias
31/12/2013

Norma ABNT por Renata MarquesA Norma ABNT, segundo Renata Marques, arquiteta especializada na área técnica, contribui para elevar a qualidade e funcionalidade dos empreendimentos, além de assegurar garantias mínimas aos compradores.

O mercado de construção civil vive uma grande mudança. Desde 19 de julho, as incorporadoras passaram a atender uma nova norma técnica de desempenho para protocolarem projetos habitacionais junto aos órgãos responsáveis.

Desenvolvido pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), o conjunto normativo tem como finalidade centralizar todas as diretrizes para o setor, além de representar, para proprietários e moradores, a garantia de estar adquirindo um imóvel de acordo com todos os padrões exigidos e com qualidade.

Ampla, a norma abrange desde aspectos estruturais até de acabamento e funcionalidade, ditando parâmetros para características que impactam diretamente no uso do espaço e acabam refletindo na vida dos moradores.

A arquiteta Renata Marques, especialista em gerenciamento de projetos e com ampla expertise na área técnica, explica que muitos problemas passaram a ser evitados a partir do momento em que o mercado começou a se adequar a esta normatização. “Problemas como ruídos fora dos parâmetros, durabilidade de material, acessibilidade, funcionalidade, segurança e manutenção, entre outros, passam a ser evitados no momento em que o arquiteto que faz a concepção e desenvolvimento do projeto se responsabilize por especificar corretamente e garantir a eficiência de todos os materiais que serão empregados na construção, de acordo com as características de uso de cada ambiente”, diz.

Ela ainda afirma que a correta aplicação da NBR 15.575 deve, inclusive, reduzir consideravelmente o número de acidentes nas edificações.

Inicialmente publicada em 2008, a NBR 15.575 é voltada para o desempenho das edificações habitacionais e começou a ser revisada pelo Comitê Brasileiro da Construção Civil em 2011. O resultado é um documento normativo que se divide em seis partes e inova ao introduzir o conceito de vida útil do empreendimento, que deverá ter uma garantia mínima, de acordo com as características de cada material.

A aplicação da norma influencia diretamente a forma como os arquitetos e projetistas concebem seus projetos. “Os projetistas têm que se especializar em relação às especificações e indicações dos diversos materiais de acordo com cada projeto, em particular. Além de esteticamente bonitos, os projetos precisam ser funcionais”, afirma Renata.

Ela enfatiza, porém, que será necessário um movimento conjunto de fornecedores, arquitetos, construtores e consumidores para que as regras produzam o efeito desejado. “Os fornecedores têm que se preocupar em esclarecer as especificações técnicas de cada produto, enquanto os arquitetos precisam se preparar para a escolha de materiais, sempre levando em consideração as necessidades de uso de cada ambiente. Aos construtores cabe realizar a aplicação correta, de acordo com as instruções passadas pelo projetista. E, por último, é de responsabilidade do proprietário seguir o manual do imóvel, garantindo a manutenção adequada a cada espaço”, acrescenta Renata.

A principal mudança na norma diz respeito à abrangência. Antes destinada aos empreendimentos acima de 5 pavimentos, agora ela deverá ser aplicada a todas edificações habitacionais.

Renata defende que os arquitetos , assim como ela, precisam ter experiência também nas questões técnicas. Os arquitetos que possuem este conhecimento em relação à adaptação à nova normatização terão condições de projetar com segurança garantindo ao contratante o atendimento das normas vigentes. “O conhecimento técnico de cada uma das etapas do projeto e da obra é primordial a partir de agora. E o grande problema é que o mercado de arquitetura não está preparado para absorver esta demanda, contamos com poucos profissionais que possuem uma ampla visão de todas as etapas do projeto, assim como da execução. Muitos arquitetos não projetam pensando no uso que o ambiente terá no dia a dia, mas se preocupam com fatores puramente estéticos. É preciso ter foco não só no design, mas, principalmente, na execução e no uso que cada ambiente terá depois de entregue ao proprietário. A arquitetura brasileira precisa voltar-se para a funcionalidade dos espaços”, conclui.| RenataMarques

Norma de Desempenho pela ProAcústica
30/12/2013

Norma de Desempenho pela ProAcústicaA ProAcústica lançou, no início de dezembro, o “Manual ProAcústica sobre a Norma de Desempenho”, um guia prático que trata dos capítulos relacionados à área de acústica da NBR 15.575:2013. O lançamento aconteceu durante o Encontro de Associados ProAcústica. Com autoria dos engenheiros Davi Akkerman, presidente da ProAcústica, e Juan Frias Pierrard, consultor técnico da entidade, o Manual tem como objetivo orientar os profissionais de construção civil sobre os parâmetros e exigências da norma no campo da acústica.

De acordo com Akkerman, com a exigibilidade da Norma de Desempenho e o desconhecimento dos requisitos de acústica pela grande maioria dos construtores, houve um grande incremento na demanda por especialistas em acústica. “Em todo o Brasil, aumentaram os pedidos de avaliações em campo, com ensaios normalizados de desempenho acústico para vedações verticais internas/externas, e isolamento de pisos a ruídos de impacto. Também cresceu o interesse na avaliação de ruídos em sistemas hidrossanitários e em máquinas de elevadores próximos a dormitórios de apartamentos. Temos ainda requisições para simulação de desempenho acústico de sistemas construtivos, por meio de softwares, em edifícios em fase de projeto”, destaca o presidente da ProAcústica.

Com 31 páginas, a publicação é composta de cinco capítulos que tratam de instalações, equipamentos prediais e sistemas hidrossanitários; sistemas de pisos; sistemas de vedações verticais internas (paredes); sistemas de vedações verticais externas (fachadas) e sistemas de coberturas. De acordo com a engenheira Maria Angelica Covelo Silva, diretora da NGI Consultoria e Desenvolvimento, autora do prefácio do Manual, o desempenho acústico das edificações, em vários países, acabou se tornando exigência de leis e códigos de obras, tendo em vista seu impacto sobre a saúde humana.

No Brasil, no entanto, destaca ela, os critérios de conforto acústico foram relegados a um segundo plano, em virtude do movimento de “racionalização” da construção, que acabou resultando em redução de espessuras de paredes, lajes, pisos, etc., levando a uma perda do desempenho acústico que os sistemas tradicionais ainda ofereciam, até os anos 1980.

Segundo Maria Angelica a NBR 15.575:2013 resgata agora a questão do desempenho acústico e chama a atenção para a sua importância. “O Manual da ProAcústica esclarece os agentes de especificação, projeto e construção o que fazer para cumprir cada requisito. Cabe agora a todos os envolvidos, efetivamente, incorporarem essa nova cultura às práticas de desenvolvimento de novos empreendimentos residenciais”, ressalta.

Maria Angelica acredita que o mercado ainda não está preparado para atender às exigências de acústica por uma razão básica: o desconhecimento de como atingir os requisitos da NBR 15.575, sobre como especificar, e sobre o comportamento dos sistemas acústicos utilizados atualmente. Para ela, quase ninguém no mercado sabe como elaborar um projeto para chegar aos níveis de desempenho acústico previstos na norma (M, I, S). “Por essa razão, não podemos continuar ignorando a caracterização do desempenho de produtos e sistemas acústicos, a fim de disponibilizar dados confiáveis aos profissionais que projetam e constroem”, recomenda.| ProAcústica