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IPH | arquitetura dos hospitais brasileiros
02/06/2014

Projetos, livros, revistas, fotos, vídeos e demais documentos, reunidos pelo IPH – Instituto de Pesquisas Hospitalares, traçam ‘linha do tempo’ da arquitetura e da construção de unidades de saúde no paí

IPHUm acervo inédito no país reúne materiais sobre a história da arquitetura e da construção de hospitais brasileiros e também de outros países, como Portugal e Paraguai. A iniciativa de digitalizar parte desse acervo é do IPH – Instituto de Pesquisas Hospitalares Arquiteto Jarbas Karman, entidade sem fins lucrativos que completa 60 anos de existência em 2014.

São livros, revistas, projetos arquitetônicos, fotos, vídeos e outros documentos que traçam uma espécie de linha do tempo da construção de hospitais desde 1949 até os dias de hoje.

Os materiais reunidos pelo IPH mostram o desenvolvimento dos hospitais, entre eles, destacam-se o Hospital Israelita Albert Einstein e o IBCC (Instituto Brasileiro de Controle do Câncer), na capital paulista e o Hospital do Câncer (Pio XII), em Barretos, interior de São Paulo.

Na bibliotecado IPH, os livros somam aproximadamente 750 exemplares. Os projetos arquitetônicos somam 6 mil plantas que abarcaram cerca de 300 projetos. Também integram o acervo coleções como Revista Paulista de Hospitais, Hospital de Hoje, Vida Hospitalar, e estrangeiras The Modern Hospital, Hospital Topics, The CanadianHospital e Das Krankenhaus, entre outras.

O acervo está disponível para pesquisa no novo portal do IPH (www.iph.org.br), que foi completamente remodelado por ocasião da celebração dos 60 anos do IPH. Ele está aberto a consulta pública gratuita, via solicitação de visita ao Instituto pelo e-mail  iph@iph.org.br ou pelo telefone (11)3868.4830.

“Trata-se de uma iniciativa pioneira e que disponibilizará um rico material sobre a evolução do conceito de arquitetura hospitalar em diferentes projetos ao longo das últimas seis décadas”, afirma Ricardo Karman, presidente do IPH.

Alguns materiais do acervo estão disponíveis para download e todos estão à disposição para consulta na Sede do IPH, que fica na rua Ministro Gastão Mesquita, 354, em Perdizes, zona oeste da capital paulista.

Exemplos de projetos arquitetônicos de hospitais do Acervo do IPH
IBCC Instituto Brasileiro de Controle do Câncer, São Paulo-SP;
Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo-SP;
Hospital da Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória-ES;
Hospital de Barretos (Hospital São Judas Tadeu da Fundação Pio XII) e sua unidade móvel de diagnóstico e tratamento, Barretos-SP;
Hospital de Aeronáutica (Centro Hospitalar do Galeão), Rio de Janeiro-RJ;
Hospital de Clínicas de Pelotas (atual Hospital Universitário São Francisco de Paula), Pelotas-RS;
Hospital São Domingos, Uberaba-MG;
Laboratório Central de Brasília, Brasília-DF;
Hospital do SESI, Maceió-Al;
Instituto Nacional de Câncer e Queimados, Capiatá-Paraguai;
Hospital Ocidental Queluz, Portugal.
AACD de Osasco junto com o TELETOM, Osasco-SP e AACD de Salvador-BA;

Além de vasto acervo de publicações, imagens e projetos arquitetônicos reunidos nos seus 60 anos de pesquisa e atuação na área de arquitetura e administração de instituições de saúde, o novo portal do IPH – Instituto de Pesquisas Hospitalares Arquiteto Jarbas Karman traz o histórico, objetivos, cronologia da instituição e informações sobre a Faculdade de Administração Hospitalar, a primeira do Brasil, fundada em 1974.

Traz, ainda, a Revista IPH online, publicação técnico-científica com periodicidade semestral que tem como objetivos divulgar e fomentar o conhecimento nas áreas de arquitetura, engenharia e administração dos edifícios de saúde.

Alunos, profissionais e pesquisadores da área podem colaborar com a publicação. O objetivo é contribuir para a ampliação do conhecimento na área. Quem acessar a página poderá visualizar as datas e normas para submissão de textos para cada edição.

O portal também disponibiliza uma espécie de consultoria gratuita online na área de arquitetura e administração hospitalar, por meio do “Pergunte ao IPH”, além da biografia, projetos e artigos do arquiteto Jarbas Karman, que dá nome ao Instituto.

“É o único portal que reúne as diferentes áreas, e que certamente trará uma contribuição sem precedentes para disseminar o conhecimento técnico e científico da arquitetura e administração de serviços de saúde no Brasil”, afirma Ana Beatriz Costa, gerente de Informação, Portal e Pesquisa do IPH.

Fundado em 1954, o IPH – Instituto de Pesquisas Hospitalares Arquiteto Jarbas Karman é uma entidade sem fins lucrativos de utilidade pública que patrocina, divulga e incentiva pesquisas na área de serviços de saúde, administração e arquitetura hospitalar.

A instituição possui uma biblioteca especializada, incluindo vasto acervo de documentos, desenhos arquitetônicos, manuscritos e periódicos disponíveis para consulta pública.

Entre os objetivos do IPH estão o de incentivar pesquisas, estudos, publicações e eventos nas áreas de saúde, arquitetura, e administração hospitalar por meios físicos e digitais, além de manter contínuo intercâmbio com faculdades, universidades e institutos congêneres, no Brasil e no exterior.

Idealizado pelo arquiteto Jarbas Bela Karman, a instituição foi pioneira na formação de profissionais ligados à área da saúde, responsável pelo primeiro Curso de Técnica em Esterilização, nos anos 50, e pela implantação da primeira faculdade de Administração Hospitalar da América Latina, na década de 1970.

O Instituto também foi responsável por patentes técnicas para hospitais entre as décadas de 60 e 80, pela publicação da revista Hospital de Hoje, editada entre 1955 e 1969, e daRevista IPH, publicada de 2000 a 2007 e que passa a ser publicada em versão online no novo portal da entidade (www.iph.org.br).

Fundador do IPH (Instituto de Pesquisas Hospitalares), o arquiteto Jarbas Karman (13/4/1917 – 2/6/2008) projetou e reformulou centenas de hospitais pelo Brasil, mas também atuou internacionalmente durante sua carreira.

Seu portfólio inclui trabalhos para o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, Hospital do Câncer (Pio XII), em Barretos; Hospital das Clínicas de Luanda (2005), Instituto Nacional de Câncer e Queimados, no Paraguai (1984) e o Hospital Santa Cruz de Lisboa, em Portugal (1991). Além de outros nos mais distantes rincões do Amazonas e do vale do São Francisco nos anos 1950.

Karman formou-se engenheiro civil pela Poli-USP em 1941, e depois, arquiteto pela mesma instituição. Titulou-se mestre em arquitetura hospitalar pela Universidade de Yale (EUA, 1952) e participou do curso sobre infecção hospitalar do Prof. Carl Walter, em Kitchener (Ontário), Canadá, em 1952. Foi professor e administrador hospitalar.

Em 1954, fundou o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e de Pesquisas Hospitalares, atual IPH, mantenedor da primeira Faculdade de Administração Hospitalar da América Latina, da qual foi diretor e titular da cadeira de Arquitetura Hospitalar.

Suas pesquisas no campo hospitalar são referência em publicações nacionais e internacionais, tendo ministrado inúmeros cursos e palestras dentro e fora do Brasil.| webIPH| webIPH

“Lelé”, João Filgueiras Lima | Nota de Falecimento
21/05/2014

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) decretou luto oficial de três dias pelo falecimento do arquiteto João Filgueiras Lima, o “Lelé”, ocorrido no início da tarde de hoje (21/05),  em Salvador.
Lelé

“Lelé”, João Filgueiras Lima (Imagem: reprodução, secretaria de cultura do PR)

Para Haroldo Pinheiro, presidente do CAU/BR, “a morte de Lelé significa a perda de um profissional  de extrema solidariedade, comprometido com a dimensão  ética da arquitetura, que colocou seu domínio completo da arte de projetar e construir a serviço sobretudo de obras públicas em  programas sociais.

Por falta de uma cultura arquitetônica maior, o País talvez não tenha conhecimento exato dos méritos dele, do quanto ficamos empobrecidos culturalmente nesse momento. E justamente quando a sociedade exige cidades com espaços e equipamentos coletivos de boa qualidade, frutos de propostas criativas, uso com sabedoria da tecnologia e economicidade. Além disso, do ponto de vista pessoal, perco meu mestre e amigo, pois com ele trabalhei de estudante até agora”.

“Lelé” era considerado por Lúcio Costa um dos três mais importantes nomes da arquitetura modernista brasileira, “o arquiteto onde a arte e tecnologia se encontram e se entrosam – o construtor”.  O arquiteto, que tinha 82 anos, foi um dos pioneiros na construção de Brasília. Trabalhando ao lado de figuras como Oscar Niemeyer,  ele desenvolveu suas primeiras obras com o uso de componentes industriais para construções de grande escala, marca de uma  trajetória que combina pré-fabricação e  construções rápidas com respeito ao clima tropical e extrema beleza formal.

Sua produção, vasta e diversificada, será destaque do pavilhão brasileiro da 14a.  Bienal de Veneza, que começará no próximo dia 7 de junho. Entre seus principais projetos estão os hospitais da Rede SARAH (Brasília e sete outras capitais), o Centro Administrativo da Bahia, AS “fábricas de escolas” do Rio de Janeiro,  a Fábrica de  Equipamentos Comunitários  (FAEC) de Salvador  e os prédios dos TCUs de oito capitais. A pedido do amigo Darcy Ribeiro, também projetou o “Beijódromo” e os apartamentos dos professores da UnB (Colônia).

O arquiteto deixa três filhas e três netos.

O corpo de Lelé será velado na igreja do Centro Administrativo da Bahia, que ele projetou. De lá, seguirá para Brasilia, cidade que ajudou a construir, onde receberá as homenagens de seus amigos e admiradores na Capela do Cemitério Campo da Esperança, sendo sepultado na ala reservada aos pioneiros de Brasilia, próximo ao túmulo original de JK. | webCAU  

Anatxu Zabalbeascoa | Tudo sobre a casa
28/04/2014

Tudo sobre a casa – A história da casa segundo Anatxu Zabalbeascoa com ilustrações de Riki Blanco e prefácio de João Sete Whitaker Ferreira: “O passado revela mais necessidades do que caprichos por trás das grandes decisões arquitetônicas”

As cozinhas, as banheiras e até os garfos escondem uma história. A vida privada diz tanto sobre uma civilização quanto a análise de suas batalhas e guerras. Em Tudo sobre a casa, a jornalista e historiadora Anatxu Zabalbeascoa analisa a evolução das residências ao longo da história e revela a origem de nossos arraigados hábitos domésticos.

Anatxu Zabalbeascoa - Tudo sobre a casa

Anatxu Zabalbeascoa analisa a evolução das residências ao longo da história

Se os romanos comiam deitados, e durante a Idade Média foi imposto o costume bárbaro de comer sentado ao redor de uma mesa, os reis renascentistas, por sua vez, costumavam comer sozinhos em frente a um numeroso séquito que permanecia de pé a sua volta. As primeiras camas construídas eram estruturas elevadas para evitar umidade, correntes e ratos. E, mais do que um móvel destinado ao descanso, para a nobreza medieval o leito foi um dos epicentros da atividade social da corte, onde se recebiam visitas ou se tratavam assuntos de Estado. Os banheiros não tiveram um espaço próprio dentro da casa até o início do século XX, quando convergiram a generalização dos encanamentos, a água quente e as doutrinas higienizadoras.

Tudo sobre a casa é uma crônica leve e apaixonante dos fatos que configuraram a evolução da casa e de nossos hábitos domésticos. Arquitetura, tecnologia e vida privada confluem nessa obra que, partindo de uma análise social e antropológica, narra a história de seis espaços – cozinha, quarto, jardim, sala e sala de jantar – para revelar a evolução de nosso próprio cotidiano. Por suas páginas não apenas desfilam Le Corbusier e Chippendale, o estilo imperial e os jardins suspensos da Babilônia, mas também inventores e decoradores, políticos e monarcas, assim como nobres, burgueses e camponeses.

O estudo de Anatxu Zabalbeascoa discorre paralelamente às ilustrações de Riki Blanco, criadas especialmente para esse relato, e que conseguem captar e levar o leitor a ambientes passados com uma acuidade excepcional. Além disso, o artista de Barcelona criou um magnífico vídeo animado com as ilustrações do livro, que pode ser visto em nosso facebook: http://www.facebook.com/editoragustavogilibrasil

Os autores: Anatxu Zabalbeascoa (Barcelona, 1966) é jornalista e historiadora especializada em arquitetura. Trabalha como crítica para o jornal El País e, paralelamente, escreve no blog ‘Del tirador a la ciudad’. Também é autora de vários livros de arquitetura, entre eles, Minimalismos (2001), Las casas del siglo (1998) e Vidas construídas (1998), publicados pela Gustavo Gili./ Riki Blanco (Barcelona, 1978) é ilustrador editorial, e também colabora para a imprensa, para música e criando pôsteres. Com mais de 20 livros, seu trabalho tem sido reconhecido com prestigiosos prêmios na Espanha e no mundo./ João Sete Whitaker Ferreira é professor doutor nos cursos de graduação e pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e professor doutor associado da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie-SP. Vice-coordenador da Área de Concentração Habitat do Programa de Pós-Graduação da FAUUSP. É coordenador e pesquisador sênior do Laboratório de Habitação e Assentamentos Humanos (LabHab) da FAU USP e co-líder do Grupo de Pesquisa Projeto, Produção e Gestão da Habitação Social no Brasil, na FAU Mackenzie.

Ficha: Tudo sobre a casa / Anatxu Zabalbeascoa / Editora: GGBrasil / 223 páginas / ISBN: 9788565985147/ Capa dura / 2014/ R$ 89,00| webGGBrasil

Casas do Brasil – Barraca Cigana em Olímpia
10/04/2014

Casas do Brasil – Barraca Cigana até 27 de abril, na Casa da Cultura, Centro, Olímpia, SP

Casas do Brasil - Barraca Cigana

Até 27 de abril, a cidade de Olímpia receberá um recorte da exposição Casas do Brasil – Barraca Cigana, quarta edição do projeto que propõe a formação de um inventário sobre a diversidade do morar no país, realizado pelo Museu da Casa Brasileira (MCB), instituição da Secretaria de Estado da Cultura. A itinerância na Casa da Cultura de Olímpia acontece a partir da parceria entre o MCB e o SISEM-SP (Sistema Estadual de Museus), por meio da qual são levados a cidades paulistas conteúdos importantes já mostrados anteriormente no espaço expositivo do museu.

“Barraca Cigana” traz fotografias da pesquisadora Luciana Sampaio, que registrou o dia a dia de acampamentos dos ciganos Calon na periferia e interior de São Paulo durante mais de uma década. Em outubro de 1997, no Largo 13 de Maio, bairro de Santo Amaro em São Paulo, Luciana viu pela primeira vez um grupo de ciganas lendo a sorte na rua. “Sempre ouvi falar que eram bruxas malvadas, mas, a partir daquele momento, as cores dos seus vestidos passaram a ser um dos elementos que mais me atraíam, e que me levaram a conviver por quase 15 anos com famílias de ciganos Calon, espalhados pelo Estado de São Paulo”, relata.

Desde então, a fotógrafa documenta o modo de vida desconhecido destes brasileiros, sempre se questionando sobre como conseguiram manter praticamente intactos, por tantos séculos, língua, vestimentas, organização familiar, habitação, meios de sobrevivência e tantos outros valores. Em 2007, passou da documentação fotográfica para a produção de vídeos em que, além das atividades cotidianas, registrou também entrevistas. O trabalho resultou em um extenso arquivo documental que será, em parte, exibido na mostra. Complementam a exposição, textos da antropóloga Florencia Ferrari.

Os ciganos retratados na exposição são da etnia Calon, falam o dialeto Chibi, e atualmente vivem em cidades do estado de São Paulo em acampamentos espalhados por seis cidades: Jaboticabal, Pitangueiras, Guariba, Ribeirão Preto, Rio Preto e São Paulo.

Sobre Casas do Brasil – Realizado desde 2006, o projeto Casas do Brasil, com cinco edições já realizadas, procura mapear as diversas tipologias de habitações brasileiras com o objetivo de formar um inventário sobre a diversidade do morar no país. Já foram tema do projeto em exposições no Museu da Casa Brasileira a “Casa Xinguana” (2008) e a “Habitação ribeirinha na Amazônia” (2013). “Barraca Cigana” (2012) é o quarto volume da série.

Sobre o Sistema Estadual de Museus – O SISEM-SP reúne e articula todos os museus do Estado buscando promover o desenvolvimento e fortalecimento institucional. É coordenado pela Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico (UPPM) da Secretaria de Estado da Cultura e atualmente engloba cerca de 415 instituições, públicas e privadas, de 190 municípios. Entre as principais ações do SISEM, está a realização de exposições itinerantes e de estudos detalhados sobre cada museu e cidades onde estão localizados. O SISEM promove, ainda, programas de formação, capacitação e aperfeiçoamento técnico de profissionais, além de convênios entre os museus do Estado e instituições nacionais e internacionais, com o objetivo de aprimorar e valorizar as próprias instituições e seus acervos.

Sobre Museu da Casa Brasileira – O Museu da Casa Brasileira se dedica às questões da cultura material da casa brasileira. É o único do país especializado em design e arquitetura, tendo se tornado uma referência nacional e internacional nesses temas. Dentre suas inúmeras iniciativas, destacam-se o Prêmio Design Museu da Casa Brasileira, realizado desde 1986, e o projeto Casas do Brasil, que promove um inventário sobre as diferentes tipologias de morar no país.

Serviço: Casas do Brasil – Barraca Cigana em Olímpia/ até 27 de abril/ de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h/ Entrada Gratuita/ Casa da Cultura de Olímpia/ Rua São João, 942, Centro, Olímpia, SP/ Realização: MCB e SISEM/ Patrocínio: ORNARE/ Apoio: ProAC e Prefeitura de Olímpia| webMCB

Jorge Wilheim, um ícone arquitetura
05/03/2014

Jorge Wilheim (1928-2014) – O arquiteto e urbanista, Jorge Wilheim, morreu em fevereiro último, aos 85 anos em decorrência de um acidente automobilístico, ocorrido em dezembro do ano passado.

O profissional foi responsável pela reurbanização do Vale do Anhangabaú em 1994, pelo desenvolvimento do Parque do Anhembi em 1967 e pela reurbanização do Pátio do Colégio em 1975.

Para o professor Valter Caldana Junior, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o arquiteto que impressionava a todos pela forma com que se relacionava com as pessoas foi um profissional completo que inovou em vários momentos o setor no país.

“Wilheim soube como ninguém, aliar a capacitação técnica e a articulação política. Durante toda a sua vida colocou seu conhecimento a serviço do interesse público, exercendo cargos importantes na administração pública Municipal e Estadual”, afirma Caldana.

Em vida ocupou cargos executivos como o de Secretário de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo, na década de 1970, e por duas décadas o de Secretário de Planejamento da capital paulista, nas gestões de Mário Covas e Marta Suplicy. Trabalhou com Paulo Egídio Montoro, Covas e Marta, além de organizar a Secretaria Estadual de Meio ambiente.| webMackenzie

Jorge Wilheim, o pensador de cidades (1928-2014)

Jorge Wilheim (1928-2014)Jorge Wilheim faleceu na sexta-feira, 14 de fevereiro. Estava internado desde dezembro do ano passado, em decorrência de um acidente de carro. O enterro ocorreu no mesmo dia no Cemitério Israelita do Butantã, em São Paulo.

Jorge Wilheim nasceu em 1928, na cidade italiana de Trieste e aos 12 anos mudou com a família para o Brasil. Aos 85 anos, 60 dos quais dedicados à arquitetura, ao urbanismo, à administração pública, à produção intelectual e às artes, Wilheim, “um homem que pensa a cidade”, se destaca como um dos mais importantes e visionários urbanistas brasileiros.

O arquiteto e urbanista – Jorge Wilheim é responsável por um legado inestimável de emblemáticos projetos, obras e conceitos, entre os quais vários cartões postais paulistanos, como o Vale do Anhangabaú (1º entre 94 em concurso público para a reurbanização, 1981-91), o Parque Anhembi (1967-73) e o Pátio do Colégio (projeto de reurbanização, 1975).

Da sua prancheta também saíram os projetos de muitas das referências arquitetônicas e urbanas que conhecemos, tais como: a sede do Clube Hebraica (1961), o TAIB – Teatro de Arte Israelita-Brasileiro (1961), o Serviço Social das Indústrias (Sesi) – Vila Leopoldina (1974), a sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (1975), o centro de diagnósticos do Hospital Albert Einstein (1978/85), a Galeria Ouro Fino, o Shopping Center 3 (1961), diversas escolas profissionais para o SENAC, e muitos outros.

Como um dos renovadores da urbanística no País, Wilheim sempre teve distinta atuação profissional, ocupando diversos cargos e funções no Instituto dos Arquitetos do Brasil. Por trabalhos profissionais, recebeu os prêmios “Tarsila do Amaral” (1956), “Governador do Estado” (1964), “IAB de Urbanismo” (1965 e 67), “IAB para Ensaio” (1965 e 67), “Pensador de Cidades Luiz Antonio Pompéia” (2010) e a Ordem do Mérito de Brasília (1985).

O planejador – Ainda na década de 1950, recém-formado arquiteto pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, enfrentou o desafio de projetar uma nova cidade para 15 mil pessoas no Mato Grosso, com a finalidade de desenvolver a região. Assim nasceu sua precoce consciência ecológica e Angélica, cidade modelo em planejamento urbano.

Expressivo formulador do chamado “planejamento estratégico” no Brasil, conceito criado pelos teóricos Manuel Castells e Jordi Borja, uma de suas contribuições pioneiras foi a criação dos Planos Diretores. Profundo conhecedor de muitas cidades e habituado a liderar equipes multidisciplinares, foi responsável por mais de vinte planos urbanísticos, destacando-se os de Curitiba, Goiânia, Natal, São Paulo, Campinas e São José dos Campos entre dezenas de outras cidades.

Questões ambientais – Um dos pioneiros na abordagem da questão ambiental, em 1981, Wilheim realizou aquele que provavelmente foi o primeiro estudo de impacto ambiental no País, para a Alcoa, na cidade de São Luiz do Maranhão. Na esfera pública, organizou a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (a primeira do Brasil) e, durante sua gestão, estruturou o órgão que compreendeu a CETESB, a Fundação Florestal, três institutos de pesquisa (Florestal, Botânico e Geológico) e a Polícia Florestal. Também implantou a primeira utilização oficial de álcool combustível no País, programa que seria conhecido mais tarde como PróAlcool.

Contribuições internacionais – Jorge Wilheim teve intensa carreira internacional e recebeu inúmeros convites para aplicar suas ideias de vanguarda em escala global. Destacou-se como Secretário Geral Adjunto da divisão da ONU para a realização da Conferência Global Habitat 2; participou das reuniões preparatórias da Conferência de Estocolmo (Suécia); e foi, durante anos, o representante brasileiro na Comissão de Urbanismo da União Internacional dos Arquitetos, órgão assessor da UNESCO. Também ocupou a cátedra Rio Branco na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e proferiu dezenas de conferências no exterior.

O homem público – No campo político, sua atuação é marcante e teve importante atuação no processo de redemocratização do país. Foi Secretário de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo (1975-79); e duas vezes Secretário de Planejamento da capital paulista (gestão Mário Covas e Marta Suplicy).

Suas principais marcas no Governo do Estado de São Paulo foram a criação do PROCON, da Fundação SEADE, da EMTU, e do “Passe do Trabalhador”, hoje conhecido como Vale Transporte. Foi também presidente da Emplasa, Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo, onde elaborou o primeiro Plano Metropolitano da macrometrópole paulista.

Como Secretário de Planejamento do Município de São Paulo, criou o pioneiro Passe do Idoso, o Cadastro Cultural das Referências Urbanas, o Conselho de Política Urbana, o Fundurb, o Plano Diretor Estratégico e os 31 Planos Estratégicos das Sub-Prefeituras de São Paulo.

O escritório – Inclinado a grandes desafios, no comando de uma consolidada equipe de arquitetos em um escritório que leva seu nome, Jorge Wilheim tem como trabalhos mais recentes a liderança em consórcios internacionais como os Estudos Urbanísticos para as estações do TAV – Trem de Alta Velocidade e coordenação geral na elaboração do Operação Urbana Rio Verde-Jacu em São Paulo; além de importantes projetos de desenvolvimento urbano na incessante busca por cidades mais humanas e criativas, onde seja promovida a diversidade de usos e classes sociais.

O intelectual – Articulista frequente dos principais jornais e revistas do País, Jorge Wilheim é autor de 10 livros sobre vida urbana, publicados por diferentes editoras de São Paulo, Buenos Aires e Londres. Sua obra mais recente é São Paulo: uma interpretação (Editora SENAC), premiada pela Academia Paulista de História na categoria Melhor Livro Publicado em 2011 sobre São Paulo. Jorge Wilheim se destaca ainda pela participação ativa no mundo das artes plásticas. Trabalhando junto com Pietro Maria Bardi, participou da montagem do MASP, foi Presidente da Fundação Bienal de São Paulo e membro de inúmeras, fundações, museus e instituições de artes plásticas no País. “Depois de pregar inovações urbanas pragmáticas na cúpula do mundo, ele quer enraizar sua cadeira no parque, sob frondosa árvore, rodeado de pássaros e jovens. Estou certo que nos encontraremos lá, onde renovaremos nossas conversas de décadas sobre cidades, políticas, sobre a verdadeira revolução. Tem sido uma longa viagem, Jorge. Mas como ainda não chegamos ao destino, temos que partir de novo.” (Manuel Castells, sociólogo, em prefácio dedicado ao livro comemorativo de 50 anos de carreira do arquiteto, A obra pública de Jorge Wilheim /DBA Artes Gráficas, 2003)./ Fonte: Jorge Wilheim Consultores.| webJWConsultores

Estação do Valongo completa 146 anos
02/04/2013

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A edificação apresenta feições neoclássicas da época vitoriana. Dispõe de corpo quadrangular centralizado e mais dois laterais semelhantes, com telhados em declive, adotados na Europa para o escoamento da neve. Essas mansardas culminam com varandins de ferro, mesmo material das colunas do térreo, a sustentarem, solidárias, cobertura dianteira que avança na fachada para abrigar o viajante, faça chuva ou faça sol. >Inaugurada no bairro do Valongo em 16 de fevereiro de 1867, a São Paulo Railway foi construída por investidores ingleses graças à ousadia de Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá. Obtendo, em 1856, concessão do Governo Imperial para a viabilização da estrada de ferro, ele tornou-se um dos maiores acionistas da empresa. Porém, antes da conclusão da obra, Mauá endividou-se com banqueiros ingleses, vendo-se obrigado a transferi-la totalmente para as mãos da São Paulo Railway, que a administrou até 1946. Durante muitos anos o complexo ferroviário operou sozinho, só perdendo espaço para a estrada de ferro Sorocabana, surgida posteriormente. >Com o final da concessão governamental, passou a pertencer à União, com o nome de Estrada de Ferro Santos-Jundiaí. Nos anos 70 foi transferida para a Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima (RFFSA) e, em 1997, foi entregue à concessionária MRS, que hoje a controla. Pela ferrovia foi escoado o café e a maior parte da riqueza que ajudou a construir São Paulo e o Brasil, além da maioria dos imigrantes que aqui chegaram.| Santos

Nota de falecimento de Roberto Segre
12/03/2013

A diretoria do IAB-RJ comunica o falecimento, na cidade de Niterói,  do arquiteto, crítico e historiador da arquitetura Roberto Segre, vítima de um atropelamento por uma motocicleta. Uma perda enorme para a critica arquitetônica e para o ensino da arquitetura e do urbanismo, mas também para todos que conviveram com esta figura impar, que compartilhava seu conhecimento e sua incansável esperança em um mundo mais justo e igualitário. A perda tão brusca deste professor brilhante e em plena atividade deixa um sentimento de profunda tristeza e perplexidade em todos nós do Núcleo Leste Metropolitano do IAB RJ.| IABRJ

Paulo Gomes relembra Zanine Caldas
22/01/2013

Em 20 de dezembro de 2001, há 11 anos, a arquitetura brasileira perdia um mestre: José Zanine Caldas, arquiteto autodidata e dono de sólidos conhecimentos de edificações com perfil histórico. Zanine reinterpretou uma série de elementos utilizados na arquitetura tradicional brasileira e celebrizou-se pelo uso, em seus projetos, de materiais rústicos e alternativos, como madeira e peças de demolição. A análise sobre o estilo desse baiano da cidade de Belmonte é do arquiteto Paulo Gomes, que trabalhou com Zanine na década de 70, em seu escritório no Rio de Janeiro. “Em uma Barra da Tijuca que dava seus primeiros passos, muitos profissionais de renome, amigos e visitantes buscavam seu escritório a procura de mais informações sobre aquela forma peculiar de arquitetura”, relembra. Um desses amigos era Lucio Costa, autor do Plano Piloto de Brasília, que, diante das pressões que Zanine vinha sofrendo por sua formação não-acadêmica, em carta aberta, saiu em sua defesa. Paulo Gomes lembra que outros grandes arquitetos também se solidarizaram com a ideia de reconhecer a legitimidade de seu trabalho, inclusive o arquiteto Oscar Niemeyer: “Embora honrado pelas demonstrações de solidariedade, ele criou com o arquiteto Landri Gonçalves da Silva a firma de arquitetura e construção que viria a se chamar Zanine e Landri, extinta em 1984”. No inicio da profissão, Zanine foi maquetista e conviveu com expoentes da arquitetura nacional, inovando as técnicas da atividade. Também trabalhou junto ao Instituto do Patrimônio Histórico Nacional. Nos anos 50, desenhou e fabricou os famosos móveis Z. Entre os anos 70 e 80, na cidade de Nova Viçosa (BA), desenvolveu um sistema de pré-fabricação residencial, criando uma linha de móveis, dessa vez em madeira maciça. “Além desse extenso portfólio com obras residenciais e comerciais, a arquitetura de Zanine sugeriu sua reprodução, tendo a cidade de Búzios como maior exemplo de sua força de expressão”, observa Paulo Gomes. Relembrando a presença do urbanista Lucio Costa, em almoço, nos anos 70, no escritório de Zanine Caldas, no Joá: Por vezes, o mais suave dos mestres almoçava lá. Zanine avisava: o Lucio vem aí. Ligia então aperfeiçoava o cardápio e ela mesma, a toda poderosa do escritório, colocava-se a preparar um certo pavê muito apreciado por ele, pelo nosso mais ilustre e querido visitante, o doutor Lucio Costa! Era sucesso garantido. A conversa que teimava em não acabar, na varanda generosa, ia longe. Brasília era tema recorrente, comum aos dois. Ateliê e moradia num só espaço, era também point de artistas e outras nobres tribos. À frente, o verde da Lagoa do Joá era, na enchente e na vazante, igualmente esmeralda. Nessa atmosfera, aos 20 anos incompletos, fui recebido nessa família profissional e, por mais de dez anos, partilhei os motivos e intenções desta incrível trajetória, sendo testemunha do gênio e da singularidade de José Zanine Caldas, um conceito, um estado de espírito.| ZanineCaldasPauloGomes