Curitiba | Por uma malha cicloviária de qualidade

Profissionais apontam ações necessárias para Curitiba tornar-se, realmente, uma cidade de ciclistas

Para que o curitibano troque o carro pela bicicleta no dia a dia, não é apenas a construção de quilômetros de ciclovia a saída necessária. Segurança e conforto também são itens básicos para todo ciclista.

Curitiba CasaCinco

O arquiteto Ricardo Alberti vê positivamente a iniciativa da prefeitura de Curitiba/ (fotoEduCamargo)

O arquiteto Ricardo Alberti, sócio do escritório CasaCinco, vê positivamente a iniciativa da prefeitura de Curitiba, que anunciou no ano passado a construção de 300 quilômetros de ciclovia. No entanto, ainda há muito a ser melhorado para que isso se torne um instrumento capaz de promover a paulatina troca do carro pela bicicleta. “O uso da bicicleta como meio de transporte tem fortes componentes culturais. Me parece que o brasileiro tende a encarar a bicicleta mais como instrumento de lazer do que como meio de transporte. É necessário um trabalho conjunto em duas frentes: na promoção de infraestrutura física adequada ao da bicicleta e no incentivo ao uso dessa forma de transporte, demonstrando ao usuário suas vantagens e benefícios.”

Uma região carente em infraestrutura cicloviária em Curitiba é a área central, bem como suas conexões com os bairros, que são feitas, em grande parte, pelas avenidas Marechal Floriano Peixoto, Sete de Setembro, João Gualberto, República Argentina, entre outras. “Acredito que deveriam ser prioritárias ações no sentido de melhoria da mobilidade urbana nessas regiões. Com bom planejamento e emprego de modais adequados todo espaço pode ser adaptado”, diz Alberti.

“A região sul de Curitiba concentra a maior parte da população da capital e, entretanto, é insuficiente em termos de infraestrutura urbana. Existem também núcleos urbanos adensados, como Pinheirinho, Portão e Sítio Cercado, que merecem atenção extra”, lembra o arquiteto Alberti.

Lucas Fuson, aluno do último ano de Arquitetura e Urbanismo na UFPR e estagiário da CasaCinco, é usuário frequente da bicicleta e acompanha o andamento das políticas públicas acerca do incentivo e do uso deste veículo de transporte. Além disso, o trabalho de graduação dele prevê a criação de estações de apoio ao ciclista em Curitiba. Estas estações consistem em um equipamento urbano inserido em pontos estratégicos, que oferece diferentes serviços, como estacionamento, duchas, vestiário, oficina, lockers (guarda-volume), aluguel de bicicletas e loja de peças. O projeto parte de um módulo de 240×240 cm, de modo a se adaptar de acordo com a demanda de cada ponto a ser implantado. Além destes serviços, permite que o usuário se conecte a diferentes modais de transporte, podendo fazer o trajeto desejado de forma mais eficiente.

Alberti destaca que essas estruturas, que constituem em um grande desejo de grande parte dos usuários, devem estar associadas a iniciativas de segurança pública para que seu uso seja incentivado. “Essas estações de apoio podem ser um bom instrumento de intermodalidade, para que, se necessário, o trajeto seja completado com o uso dos sistemas de transporte”, afirma.

Exemplos positivos e negativos – As cidades de Copenhague e Amsterdã são referências quando se fala em malha cicloviária de qualidade, com políticas públicas que incentivam este meio de transporte. Além destas, é possível citar Londres, Paris, Berlim, e até mesmo Nova Iorque. Na América do Sul são destaques em ciclomobilidade as cidades de Santiago e Buenos Aires.

Joinville pode ser citada como um exemplo de insucesso. Motivada pela facilidade de aquisição do automóvel e pelo falta do incentivo ao uso da bicicleta, a população local vê atualmente a ex-capital nacional da bicicleta sofrer com os congestionamentos e falta de segurança para os que ainda se aventuram sobre duas rodas.| webCasaCinco

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