Norma ABNT assegura garantias

Norma ABNT por Renata MarquesA Norma ABNT, segundo Renata Marques, arquiteta especializada na área técnica, contribui para elevar a qualidade e funcionalidade dos empreendimentos, além de assegurar garantias mínimas aos compradores.

O mercado de construção civil vive uma grande mudança. Desde 19 de julho, as incorporadoras passaram a atender uma nova norma técnica de desempenho para protocolarem projetos habitacionais junto aos órgãos responsáveis.

Desenvolvido pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), o conjunto normativo tem como finalidade centralizar todas as diretrizes para o setor, além de representar, para proprietários e moradores, a garantia de estar adquirindo um imóvel de acordo com todos os padrões exigidos e com qualidade.

Ampla, a norma abrange desde aspectos estruturais até de acabamento e funcionalidade, ditando parâmetros para características que impactam diretamente no uso do espaço e acabam refletindo na vida dos moradores.

A arquiteta Renata Marques, especialista em gerenciamento de projetos e com ampla expertise na área técnica, explica que muitos problemas passaram a ser evitados a partir do momento em que o mercado começou a se adequar a esta normatização. “Problemas como ruídos fora dos parâmetros, durabilidade de material, acessibilidade, funcionalidade, segurança e manutenção, entre outros, passam a ser evitados no momento em que o arquiteto que faz a concepção e desenvolvimento do projeto se responsabilize por especificar corretamente e garantir a eficiência de todos os materiais que serão empregados na construção, de acordo com as características de uso de cada ambiente”, diz.

Ela ainda afirma que a correta aplicação da NBR 15.575 deve, inclusive, reduzir consideravelmente o número de acidentes nas edificações.

Inicialmente publicada em 2008, a NBR 15.575 é voltada para o desempenho das edificações habitacionais e começou a ser revisada pelo Comitê Brasileiro da Construção Civil em 2011. O resultado é um documento normativo que se divide em seis partes e inova ao introduzir o conceito de vida útil do empreendimento, que deverá ter uma garantia mínima, de acordo com as características de cada material.

A aplicação da norma influencia diretamente a forma como os arquitetos e projetistas concebem seus projetos. “Os projetistas têm que se especializar em relação às especificações e indicações dos diversos materiais de acordo com cada projeto, em particular. Além de esteticamente bonitos, os projetos precisam ser funcionais”, afirma Renata.

Ela enfatiza, porém, que será necessário um movimento conjunto de fornecedores, arquitetos, construtores e consumidores para que as regras produzam o efeito desejado. “Os fornecedores têm que se preocupar em esclarecer as especificações técnicas de cada produto, enquanto os arquitetos precisam se preparar para a escolha de materiais, sempre levando em consideração as necessidades de uso de cada ambiente. Aos construtores cabe realizar a aplicação correta, de acordo com as instruções passadas pelo projetista. E, por último, é de responsabilidade do proprietário seguir o manual do imóvel, garantindo a manutenção adequada a cada espaço”, acrescenta Renata.

A principal mudança na norma diz respeito à abrangência. Antes destinada aos empreendimentos acima de 5 pavimentos, agora ela deverá ser aplicada a todas edificações habitacionais.

Renata defende que os arquitetos , assim como ela, precisam ter experiência também nas questões técnicas. Os arquitetos que possuem este conhecimento em relação à adaptação à nova normatização terão condições de projetar com segurança garantindo ao contratante o atendimento das normas vigentes. “O conhecimento técnico de cada uma das etapas do projeto e da obra é primordial a partir de agora. E o grande problema é que o mercado de arquitetura não está preparado para absorver esta demanda, contamos com poucos profissionais que possuem uma ampla visão de todas as etapas do projeto, assim como da execução. Muitos arquitetos não projetam pensando no uso que o ambiente terá no dia a dia, mas se preocupam com fatores puramente estéticos. É preciso ter foco não só no design, mas, principalmente, na execução e no uso que cada ambiente terá depois de entregue ao proprietário. A arquitetura brasileira precisa voltar-se para a funcionalidade dos espaços”, conclui.| RenataMarques

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